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31 de Maio de 2014, 13h07

Índia, EUA e uma aliança geoestratégica

Para fortalecer sua posição na Ásia, o novo primeiro-ministro da Índia tem tudo para ser o novo grande parceiro dos EUA Por Vinicius Gomes Três fatores sugerem que o novo primeiro-ministro indiano será um dos principais aliados dos EUA na Ásia pelos próximos anos: sua grande promessa de impulsionar o crescimento econômico do país, a […]

Para fortalecer sua posição na Ásia, o novo primeiro-ministro da Índia tem tudo para ser o novo grande parceiro dos EUA

Por Vinicius Gomes

Três fatores sugerem que o novo primeiro-ministro indiano será um dos principais aliados dos EUA na Ásia pelos próximos anos: sua grande promessa de impulsionar o crescimento econômico do país, a necessidade norte-americana em ter um aliado forte contrapondo a força da China e a decisão de Obama em manter por mais dois anos tropas militares no Afeganistão.

Analistas alegam que a vitória avassaladora de Narendra Modi, foi sua promessa de crescimento econômico, usando como exemplo o “modelo Gujarat” – nome do estado onde ele foi quatro vezes eleito ministro-chefe (2001-2014) – que produziu efeitos positivos para a economia local, com suas amizades entre industriais e negociações para investimento estrangeiro. Em segundo lugar, a recente reaproximação da China com a Rússia – uma aliança que tem bastante peso contra Washington-União Europeia – torna imperativo que os EUA tenham um parceiro forte na região. Principalmente pelo fato de seus parceiros históricos na nessa missão, Japão e Coreia do Sul, não conseguirem mais dar conta do recado. Por fim, o adiamento da retirada total de soldados norte-americanos do Afeganistão para 2016 e o desgaste político de Washington com o Paquistão, faz com que a Índia seja ainda mais bem vista como grande aliado na Ásia.

No entanto, Modi é um nacionalista hindu, filiado desde jovem ao Rashtriya Swayam Sevak Sangh (Sociedade Voluntária Nacional, ou RSS), que é um movimento hindu ultranacionalista que data dos anos 1920. São conhecidos por sua crença na superioridade hindu – não à toa é também conhecida sua admiração por Hitler por sua noção de “raça pura”, e do Estado de Israel, pela “homogeneidade étnica” de sua cidadania.

E esse é o lado que mais deixa um ponto de interrogação para o resto mundo sobre que rumo a Índia tomará em seu futuro e um sinal de alerta vermelho para os muçulmanos indianos: em 2002, enquanto Modi era o chefe-mor do estado de Gujarat, ele exaltou a violência que resultou na morte de mais de 2 mil muçulmanos e o deslocamento forçado de outras dezenas de milhares. O massacre de Gujarat, como ficou conhecido o episódio, foi cometido por hindus filiados ao BJP, muitos dotados de instrução paramilitar, que atacara dezenas de bairros, mesquitas e comunidades muçulmanas na cidade de Ghodra. Enquanto Modi foi tecnicamente absolvido de ter tido participação, muitos criticaram sua postura de não conter a violência. A única coisa que Modi chegou a lamentar foi ele não ter conseguido controlar melhor a cobertura da imprensa durante os massacres.

Considerando que apesar de ter uma população muçulmana minoritária, a Índia possui simplesmente a terceira maior do mundo, contabilizando 177 milhões de pessoas – e que a Guerra ao Terror (leia-se muçulmanos) dos EUA ainda está longe do fim, o casamento de conveniência entre os dois países tem tudo para dar certo – ao menos para eles.