15 de novembro de 2018, 09h47

Indicação de Araújo provoca pior reação possível no Itamaraty: quebra de hierarquia

A escolha do novo ministro das Relações Exteriores não agradou em nada os diplomatas que atuam no Itamaraty: “É uma pessoa de perfil bem baixo. É de se questionar que tipo de liderança ele poderá ter”

Foto: Reprodução/YouTube

A escolha de Ernesto Araújo para ser o futuro ministro das Relações Exteriores de Jairo Bolsonaro, causou uma péssima impressão entre os diplomatas do Itamaraty. A avaliação geral é de que houve uma quebra de hierarquia sem precedentes e um desrespeito à instituição. De acordo com informações de Lisandra Paraguassu, da Reuters, Araújo foi promovido a embaixador apenas no primeiro semestre de 2018, portanto, é considerado um diplomata júnior para o cargo.

“É como se o presidente eleito tivesse indicado um general três estrelas para comandar a Defesa ou o Estado-Maior das Forças Armadas”, comparou uma fonte com conhecimento interno do Itamaraty. “Nunca um chefe de departamento, um cargo de terceiro escalão, foi alçado a chanceler”, afirmou outra fonte. “É uma pessoa de perfil bem baixo. É de se questionar que tipo de liderança ele poderá ter”.

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Araújo chegou a ser cogitado como possível chanceler durante a campanha, principalmente porque ele criou um blog em que fazia campanha aberta para Bolsonaro e fazia duras críticas ao PT. Isso fez que ele se aproximasse dos filhos do militar.

“Araújo fez a fama dele junto à equipe do Bolsonaro em cima de um artigo de política externa extremamente controverso, em que ele faz uma defesa apaixonada do presidente norte-americano, Donald Trump. Que capacidade de ação terá a diplomacia brasileira com ele à frente?”, questionou uma das fontes. “Aos olhos do mundo, a política externa brasileira passará a ser comandada por um discípulo do trumpismo”.

O novo ministro, nos textos de seu blog, criticou a esquerda e chegou a fazer um “poema” no qual chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “poste” de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. Em outra ocasião, chamou o PT de Partido Terrorista e dizia que lutar contra um governo petista seria “lutar contra o mal”.

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