07 de junho de 2013, 14h35

Insetos: a hora da vingança!

Será que a criançada de São Paulo conhece tanajura? Duvido. Ela é a rainha das formigas saúva, e não me lembro de alguma vez ter visto saúva em São Paulo.

Em certa época do ano, um formigueiro produz um montão de tanajuras, que têm asas e voam, e cada fêmea que cruza com um macho, perde as asas e começa a cavar o chão para fazer um novo formigueiro.

Mas, de milhares de tanajuras, apenas uma ou duas conseguem cumprir essa função, pois elas são uma comida apreciada por muitos passarinhos, parte delas é comida voando e as restantes são pegas quando começam a cavar seu ninho. Ainda bem. Ou o Brasil seria um vasto formigueiro.

E não são só os passarinhos que apreciam tanajura. Gente também. Bunda de tanajura é grandona, gordurosa. Por sinal, outro nome da tanajura é içá, palavra que em tupi significa gorduroso. Era uma iguaria apreciada por índios e continuou sendo em alguns lugares, como no Vale do Paraíba em São Paulo.

Monteiro Lobato era um que gostava delas. Quando havia revoada de tanajuras em Taubaté, algum amigo dele entrava na brincadeira de pegar as danadas, tirar a cabeça e encher um litro com bundas de tanajura, e trazia para o escritor, em São Paulo.

O certo é que fritada de içá é considerada uma delícia.

Isso de comer içá, visto como folclore, agora vai se tornando conhecido como hábito muito saudável, recomendado por nutricionistas até para se tornar programa de governo.

Não só içá. A recomendação é que se coma muitos e muitos insetos. Segundo certos estudiosos, para se produzir um quilo de proteína de insetos gasta-se muito menos alimentos, como plantas, do que para produzir um quilo de proteína de carne de vaca ou de frango.

Tem quem faça cara de nojo para isso, mas muitos insetos são comidos por aí com muito gosto. Certos povos indígenas comem bicho de pau podre, e os brancos que experimentaram dizem que é muito bom. Fiquei sabendo também que a lagarta do coqueiro tem gosto de coco.

Mas o inseto que eu mais torço para que se torne comida comum é o percevejo. Ele deve ser comido vivo, conforme mandam os gourmets. Morre com uma dentada e tem gosto de maçã verde.

Já fui muito picado por percevejos abrigados em colchões de certas espeluncas em que me hospedei. Era apagar a luz que os desgraçados saíam dos seus esconderijos e vinham sugar meu sangue. É hora da vingança. Agora a gente é que vai morder os percevejos.