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28 de Março de 2013, 14h16

Internautas relatam abusos após jornalista denunciar a violência obstétrica no Brasil

Matéria “Na hora de fazer não gritou”, da jornalista Andrea Dip, gerou imensa repercussão nas redes sociais

Matéria “Na hora de fazer não gritou”, da jornalista Andrea Dip, gerou imensa repercussão nas redes sociais

Da Redação 

Foto: Agência Pública

A Agência Pública publicou, na última segunda-feira (25), a matéria “Na Hora de fazer não gritou”, na qual a jornalista Andrea Dip apresentou  um amplo panorama da violência obstétrica no Brasil.

A matéria contém dados aterradores sobre as violências pelas quais mulheres brasileiras passam no momento do parto. De acordo com a pesquisa “Mulheres brasileiras e Gênero nos espaços público e privado”, divulgada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto.

Segundo o estudo, as violências mais comuns são gritos, procedimentos dolorosos sem consentimento, falta de analgesia e negligência médica. A matéria ainda apresenta outras formas de violência mais sutis, como relaciona a obstetriz e ativista pelo parto humanizado Ana Cristina Duarte. “Impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência, tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido, tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, submeter a mulher a mais de um exame de toque, especialmente por mais de um profissional, dar hormônios para tornar o parto mais rápido, fazer episiotomia sem consentimento”.

A matéria, republicada no site Fórum, gerou uma enorme repercussão nas redes sociais. Mulheres relataram diversas formas de violências as quais foram submetidas no momento do parto.

Marcelli Lima publicou o seu relato no Facebook. Ela comenta como “roubaram” o seu momento.

“Tive que ter meu filho pela rede pública, mas Deus colocou um anjo na minha vida que conseguiu para mim uma cesárea, pois se passei pelo que passei com cesárea, imagino parto normal!

Lendo essas matérias e comentários, lembrei de detalhes do meu parto, que pra mim foi tão traumático que praticamente esqueci… Mas, lembro bem dos momentos mais torturantes, como alguém do hospital entrar no centro cirúrgico após o meu parto e falar “nossa! mataram um porco aqui!!??”, de falarem que iam chamar a segurança para o meu marido caso ele ligasse para o meu médico para informar que tinham feito ele sair de perto de mim para me dar um toque que me fez começar a sangrar, de ter tido cefaleia por causa da anestesia, e além de não receber nem um buscopan…

Mas tinha esquecido que só vi meu filho de longe após o parto, pq não me deram ele, de tentarem me impedir de amamentar meu filho, o que só consegui fazer 3 horas após o nascimento, e como disse a técnica, contra as normas do hospital, do choro da menina que estava tendo neném de parto normal do meu lado e dos gritos dos residentes debochando e humilhando ela, e eu chorava e falava com meu marido pra fazer alguma coisa, pra não deixarem fazer isso com ela, tinha esquecido do meu medo de rejeitar meu filho, pois estava tão cansada e desgastada, tinha esquecido. Só pensava que tinha que sair dali com ele e que só senti emoção pelo nascimento dele, quando estava em casa, com minha família e medicada por causa das dores de cabeça. Aconteceram muitas outras coisas, mas já estou com dor de cabeça, é melhor deixar pra lá. Enfim, só tenho que me juntar ao coro da autora da matéria: ROUBARAM MEU MOMENTO!”

Betania Eneas comentou como a fizeram de cobaia no momento do nascimento do seu primeiro filho.

“Eu sofri muito nos meus partos, principalmente do meu primeiro, que me fizeram de cobaia. Os aprendizes costuravam e me descosturavam, fora que toda hora as enfermeiras me xingavam, peguei infecção hospitalar de tanto que judiaram de mim. Até que no décimo quarto dia em que eu estava internada, sem poder me mexer na cama, eu só chorava, pois tinha febre 24 hrs, chegou um médico que quando me viu naquela situação disse que ia chamar a policia, pois ele nunca viu alguém ter um bebê e ficar naquela situação, como um verme, até que resolveram fazer algo por mim, minha mãe resolveu me tirar de lá e assinou um termo de responsabilidade. Se não hoje eu não estaria aqui pra contar a história, sem contar nos outros partos que me amarraram, pois o neném não nascia e eles forçaram tanto que me machucaram muito. É triste você ir parir a coisa mais importante da sua vida e ser tratada como um bicho, isso precisa acabar”

Lígia Santana afirmou que ainda carrega a angustia de não ter exigido os seus direitos como gestante.

“Eu tive o parto que quiseram que eu tivesse e não o que eu queria ter. Nem ao menos perguntaram. Minha filha é saudável e linda, mas ainda carrego a angústia e culpa de não ter exigido meus direitos. Se eu tivesse lido esse texto antes, seria diferente, mas vou passar adiante para alertar futuras mães. Obrigada”

Ereikson Mendes falou sobre como alguns médicos utilizam-se de procedimentos que adiantam partos para adequarem-se aos seus horários.

“Eu que trabalho na área sei muito bem como funciona, a paciente fica a mercê do desejo do médico, que na maioria das vezes utiliza dessa posição para proceder com procedimentos que o beneficiem, exemplo, perto de feriados os mesmos adiantam procedimentos e afins para terem folga, enfim a matéria está aí, com diversos outros casos, no fim sobra indignação”.