05 de dezembro de 2018, 20h03

Interpol rejeita pedido do governo do Equador para prender Rafael Correa

Ex-presidente equatoriano, que vive na Bélgica, é acusado de envolvimento no sequestro de um político opositor em 2012; defesa aponta perseguição política e falta de provas

Foto: Divulgação/Presidência do Equador

A Interpol (Polícia Internacional) rejeitou, nesta quarta-feira (5), um pedido do governo equatoriano para localizar e prender o ex-presidente do país, Rafael Correa. O político, que vive na Bélgica, é acusado de envolvimento no sequestro do deputado Fernando Balda, em 2012, na Colômbia.

O rechaço à solicitação de “alerta vermelho” feito pelo Equador foi comunicado pela Interpol através de uma notificação. “Após uma análise cuidadosa de todos os elementos relativos à situação jurídica do requerente, as informações à disposição da Comissão revelaram que a retenção de dados no Sistema de Informação Interpol não era compatível com a obrigação de garantir uma cooperação eficaz entre as autoridades policiais no quadro do ‘respeito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem'”, diz o comunicado.

De acordo com o portal equatoriano El Estado, a petição do Equador foi rejeitada porque a Interpol considera que “haveria envolvimento político no julgamento”.

Este é o argumento utilizado por Correa e sua defesa, que apontam falta de provas e perseguição política, denotando a prática do lawfare.

“É muito grave para o país que a Interpol tenha rejeitado o pedido da ‘justiça’ por violar os direitos humanos. É apenas o começo. Nós os derrotaremos em todas as instâncias internacionais, onde não há ‘transitórios’ ou imprensa corrupta”, escreveu Correa em sua conta no Twitter logo após a divulgação da decisão da Interpol.

Pedido de prisão 

A Justiça do Equador emitiu um pedido de prisão contra Correa, que vive na Bélica, no dia 3 de julho de 2018, sob a acusação de envolvimento no sequestro do deputado Fernando Balda, em 2012, na Colômbia.

Imediatamente o ex-presidente se apresentou ao Consulado do Equador em Bruxelas e, mesmo assim, a justiça equatoriana determinou sua prisão à Interpol.

Já é a segunda vez que a Polícia Internacional se recusa a prender Correa.