13 de junho de 2018, 10h30

Intervenção federal no Rio fecha UPP da Cidade de Deus

Unidade é a quarta fechada pelo gabinete responsável pela Segurança Pública no estado

Foto: Google Street View

Anunciado como um novo modelo no enfrentamento da violência no Rio de Janeiro quando da sua criação, o programa das Unidades de Polícia Pacificadora sofre um grande desmonte desde o início da intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro. O comando da Polícia Militar confirmou, nesta quarta-feira, o fim de mais uma unidade, na Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense.

No lugar da UPP da Cidade de Deus, a PM pretende implementar uma companhia destacada do 18º Batalhão (Jacarepaguá). Será a quarta UPP fechada. A Intervenção Federal já acabou com as unidades da Vila Kennedy e do Batan, também na Zona Oeste, e da Mangueirinha, em Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense. O Gabinete de Intervenção Federal anunciou, no dia 26 de abril, que metade das UPPs será desativada.

As UPPs são um símbolo do governo de Sérgio Cabral, atualmente preso por corrupção. O modelo encontrou respaldo da maioria da população fluminense que o reelegeu no primeiro turno em 2010. No entanto, instituições de Direitos Humanos atacaram, desde a criação das unidades, a militarização das favelas cariocas e a falta de presença do estado na área social.

Entre os moradores do Rio, em conversas nos bares e botequins, era comum o sentimento de que o programa seria de curto prazo, para “enxugar gelo”, garantir a reeleição de Cabral e a repressão ao crime organizado durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Nos últimos anos, uma imagem comum a muitas das comunidades ocupadas pelas UPPs é a de criminosos circulando com fuzis nas favelas cariocas.Ao longo deste ano, confrontos na Cidade de Deus interditaram a Linha Amarela, uma das principais vias do Rio.

O ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que o programa das UPPs foi além do suportado pelo caixa do governo estadual. “Houve uma expansão maior do que as pernas do estado poderiam manter com os recursos que tinham. Aquilo que seria ter uma expansão de forma sustentável não foi. Foi muito além das possibilidades de manutenção do estado. Isso degradou grande parte das UPPs”, declarou.