12 de outubro de 2018, 20h28

Ivan Seixas sobre o antipetismo: “Eles não têm ódio ao PT, têm ódio de pobre”

Para Ivan Seixas, que foi preso e torturado na ditadura militar, o ódio ao PT que vem vitimando pessoas nas ruas é o mesmo ódio aos comunistas que criou terreno fértil para o golpe militar de 1964. "A sociedade precisa de um grande pacto antifascista"

Apoiador do impeachment de Dilma Rousseff grita com petista durante manifestação em 2016, em São Paulo (Reprodução/Twitter)
Um levantamento feito pela Agência Pública mostra que, desde o início de outubro, já foram registrados mais de 50 ataques e agressões encampados por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL). Um desses ataques de intolerância, inclusive, foi fatal: mestre Moa do Katendê, um dos mais famosos militantes da cultura negra de Salvador, foi assassinado com 12 facadas nas costas por um eleitor do militar da reserva. O motivo: ter votado no PT para a presidência. O antipetismo que, até há algum tempo, se limitava ao discurso político, ganhou contornos de radicalismo com agressões permeadas de motivações que beiram ao fascismo. O...

Um levantamento feito pela Agência Pública mostra que, desde o início de outubro, já foram registrados mais de 50 ataques e agressões encampados por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL). Um desses ataques de intolerância, inclusive, foi fatal: mestre Moa do Katendê, um dos mais famosos militantes da cultura negra de Salvador, foi assassinado com 12 facadas nas costas por um eleitor do militar da reserva. O motivo: ter votado no PT para a presidência.

O antipetismo que, até há algum tempo, se limitava ao discurso político, ganhou contornos de radicalismo com agressões permeadas de motivações que beiram ao fascismo. O ódio aos nordestinos, negros, mulheres e homossexuais tem se encontrado na aversão ao PT e na exaltação do “mito” Jair Bolsonaro. Em entrevista recente à Fórum, a antropóloga Adriana Dias, especialista em neonazismo, explicou como essa construção do “outro”, no caso o PT, que resumiria todas essas minorias atacadas, se assemelha a construção do “outro” pelo nazismo na Alemanha que, naquele caso, eram os comunistas e os judeus.

Ivan Seixas, ativista político que foi preso e torturado durante a ditadura militar, também estabelece relações entre o chamando “antipetismo” e o ódio aos comunistas que criou o terreno fértil para o golpe militar de 1964 – golpe este que vitimou seu pai, Joaquim Alencar de Seixas, torturado sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra, o militar reverenciado por Jair Bolsonaro durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

“O antipetismo é o anticomunismo de 1964. É a mesma coisa. Eles tem ódio não é do PT ou do Partido Comunista, eles têm ódio de pobre”, disparou Ivan, que concedeu entrevista no programa Fórum Eleições.

Para o ativista, o ódio ao PT, tal como o ódio aos comunistas na época da ditadura, se dá pelo fato de que há no Brasil uma classe média reacionária e uma elite escravagista. “Eles não querem que o pobre saia da situação miserável que está e quer que o pobre seja um trabalhador obediente, um serviçal”, afirmou.

De acordo com Ivan, a eleição deste ano está sendo marcada por uma “campanha terrorista”. “Só eles colocaram adesivos nos carros. Se os apoiadores do Haddad e outras candidaturas pusessem, os carros seriam depredados. E esse clima de terror é porque foi liberado o fascismo e o judiciário está corroborando”, analisou.

Seixas, que viveu na pele as mazelas de uma ditadura, alerta: “Vivemos um estado de exceção. É a ditadura do judiciário, com o apoio da mídia, a mesma que apoiou o golpe de 1964.

Na mesma entrevista, Ivan falou ainda sobre os riscos que a candidatura de Bolsonaro representa para a democracia, expôs detalhes da tortura praticada pelo estado durante a ditadura militar e, como figura de resistência do golpe, propôs caminhos para barrar o estado autoritário e a ascensão do fascismo.

Assista à íntegra.