19 de dezembro de 2018, 10h18

Jackie Silva desabafa sob aplausos: “que nunca mais nenhuma mulher seja punida por isso”

A primeira campeã olímpica brasileira, perseguida por ter enfrentado Carlos Nuzman, recebeu homenagem com discurso emocionante

Foto: Reprodução Rede Globo

Jackie Silva, a primeira campeã olímpica brasileira, perseguida por ter enfrentado a Confederação Brasileira de Vôlei e o até então todo poderoso, Carlos Nuzman, deu a volta por cima, na noite desta terça-feira (19), na entrega do Prêmio Brasil Olímpico.

Sob aplausos e com um discurso emocionante, a medalhista de ouro na Olimpíada de Atlanta 1996, recebeu o troféu Adhemar Ferreira da Silva, uma homenagem por toda trajetória dentro e fora das quadras.

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“Minha história começou em 1986, quando o voleibol deu um grande passo na história, tornando-se o primeiro esporte a ter patrocinadores na camisa. Na época, aquilo foi uma coisa muito importante. Mas aconteceu uma coisa um pouco estranha: só os atletas homens recebiam dinheiro por isso. Eu quis questionar e essa resposta eu não obtive. Em protesto, coloquei o meu uniforme no avesso e fui cortada da seleção brasileira e fui banida do Brasil. Foi então que fui para os Estados Unidos jogar vôlei de praia. Lá me tornei a rainha do voleibol de praia. Dez anos depois, eu voltei para o Brasil junto com a Sandra Pires, campeãs olímpicas, as primeiras mulheres a ganhar uma medalha de ouro no Brasil (…) Essa prêmio representa não só uma forma de conserto disso tudo, dessas injustiças todas. É um símbolo de uma nova era no esporte nacional, uma nova era do COB, uma nova direção. E que tudo isso que aconteceu, esse meu posicionamento não era uma causa própria. Era a luta pelo direito das mulheres, um direito de todas nós. Então, hoje, o que eu quero dizer é que daqui em diante nunca mais nenhuma mulher seja punida por isso.”

Criado em 2001, o Troféu Adhemar Ferreira da Silva tem como objetivo homenagear atletas e ex-atletas que representem os valores que marcaram a carreira e a vida de Adhemar, bicampeão olímpico no salto triplo, tais como ética, eficiência técnica e física, esportividade, respeito ao próximo, companheirismo e espírito coletivo.

Com informações do Globo Esporte

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