15 de março de 2019, 20h29

“Jamais vi o Brasil protagonizar uma cena tão triste”, diz jornalista que cobre ONU há 20 anos

O jornalista Jamil Chade, correspondente há mais de duas décadas na Europa, é o autor do vídeo que mostra a embaixadora brasileira se retirando de uma reunião da ONU após atacar e se recusar a debater com Jean Wyllys

Foto: Reprodução
Jamil Chade, correspondente do jornal Estadão, afirmou na tarde desta sexta-feira (15), através do Twitter, que nunca viu “o Brasil protagonizar uma cena tão triste como a que a embaixadora do governo Bolsonaro promoveu hoje”. “Em 20 anos cobrindo a ONU, jamais vi o Brasil protagonizar uma cena tão triste como a que a embaixadora do governo Bolsonaro promoveu hoje. O Itamaraty, contaminado por um vírus extremamente perigoso: o da intolerância”, tuitou. O comentário veio depois que ele divulgou um vídeo que mostra a diplomata brasileira, Maria Nazareth Farani Azevedo, batendo boca com Jean Wyllys em uma reunião da Organização das Nações...

Jamil Chade, correspondente do jornal Estadão, afirmou na tarde desta sexta-feira (15), através do Twitter, que nunca viu “o Brasil protagonizar uma cena tão triste como a que a embaixadora do governo Bolsonaro promoveu hoje”.

“Em 20 anos cobrindo a ONU, jamais vi o Brasil protagonizar uma cena tão triste como a que a embaixadora do governo Bolsonaro promoveu hoje. O Itamaraty, contaminado por um vírus extremamente perigoso: o da intolerância”, tuitou.

O comentário veio depois que ele divulgou um vídeo que mostra a diplomata brasileira, Maria Nazareth Farani Azevedo, batendo boca com Jean Wyllys em uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra (Suíça). Farani criticou o ex-deputado, se recusou a ouvir a resposta e, em um gesto pouco comum entre diplomatas, deixou a sala.

“Senhora embaixadora, ouça a minha resposta. (…) O fato da senhora ter saído do seu lugar e vir com discurso pronto para essa sala é sintoma mesmo de que minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo, que não tem compromisso com a democracia”, dizia Wyllys enquanto a embaixadora se levantava e dizia que o ex-parlamentar é motivo de “vergonha”.

Jean Wyllys terminou sua intervenção sob aplausos dos presentes, já na ausência de Farani.

Repórter na Europa há mais de vinte anos, o jornalista Jamil Chade, no final da tarde, voltou a falar sobre o ocorrido. “Quando Monica Benício falou na ONU, a embaixadora do Brasil não esteve. Quando Indigenas falaram na ONU, tampouco. Quando vítimas de barragens foram à entidade, ela também não estava lá, nem quando falaram defensores de direitos humanos. Por que ela apareceu hoje?”