17 de maio de 2018, 11h29

Janot diz que, se as provas contra Temer não são suficientes, ele se muda para Marte

Janot disse também que “essa foi uma das colaborações premiadas que mais auxiliaram o combate à corrupção no Brasil”

Um ano depois da divulgação da gravação de Joesley Batista, completados nesta quinta-feira (17), a permanência de Michel Temer no cargo espanta Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República que assinou os acordos de delação com Joesley e Wesley Batista. O ex-procurador falou em entrevista para O Globo. “A pergunta que se tem que fazer é: existem provas contra o presidente da República em exercício por atos criminosos por ele praticado? A imprensa divulgou áudios, vídeos. Se isso não é suficiente, eu me mudo para Marte.” Janot disse também que “essa foi uma das colaborações premiadas que mais auxiliaram o combate à corrupção...

Um ano depois da divulgação da gravação de Joesley Batista, completados nesta quinta-feira (17), a permanência de Michel Temer no cargo espanta Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República que assinou os acordos de delação com Joesley e Wesley Batista. O ex-procurador falou em entrevista para O Globo.

“A pergunta que se tem que fazer é: existem provas contra o presidente da República em exercício por atos criminosos por ele praticado? A imprensa divulgou áudios, vídeos. Se isso não é suficiente, eu me mudo para Marte.”

Janot disse também que “essa foi uma das colaborações premiadas que mais auxiliaram o combate à corrupção no Brasil. Atingiu um presidente da República em exercício que, depois de três anos e meio da Lava Jato, continuava praticando atos que queria. Achava que era imune a qualquer investigação do Ministério Público. E nenhum cidadão é”, lembrou.

Para o ex-procurador, foi a Câmara dos Deputados que não permitiu o prosseguimento dos dois processos penais contra Temer. “Processos inaugurados contra ele com provas, estou falando em provas, não em indícios, que decorreram da colaboração premiada e da atuação proativa desses colaboradores. Malas de dinheiro circulando em São Paulo, ‘tem que manter isso, viu?’, isso não é pouco. Isso é muito”, disse.

Já quanto ao senador Aécio Neves, pego também em gravações com Joesley e investigado no mesmo acordo de delação, Janot lembra que ele agora é réu, responde a um processo penal.

Sobre o ex-procurador, Marcelo Miller, Janot acredita que ele tenha “cometido atos não éticos, mas estou convencido hoje que crime ele não cometeu”.