09 de setembro de 2018, 10h49

João Brant: “Precisamos de um povo que viva cultura como algo que é parte de sua vida”

Em entrevista ao programa Fórum Eleições, o doutor em ciência política João Brant, ex secretário executivo do Ministério da Cultura (MinC), falou sobre o incêndio no Museu Nacional e a cultura no Brasil

No último domingo (2), um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro. Os bombeiros chegaram ao local às 20h30, quando o incêndio já havia tomado todo o edifício de 200 anos. João Brant foi entrevistado no programa Fórum Eleições, exibido ao vivo às 21h, de segunda a sexta, pelo editor da Fórum, Renato Rovai, onde falou sobre a tragédia para a história e memória do país.

“O MinC tem sete entidades vinculadas [aos museus] uma delas é o Ibram [Instituto Brasileiro de Museus] dedicado à gestão de 30 museus. O Ibram veio da estrutura do Iphan, em 2009, o iphan (Instituto de Patrimônio Histórico Nacional) criado há mais de 80 anos, com um crescimento de investimento na área de museus muito grande na época do governo Lula, um investimento muito significativo nessa área. Além desses museus ligados diretamente ao Ibram, temos, como por exemplo, o Museu Nacional,  ligado à UFRJ, portanto tinha uma gestão dependente do MEC diretamente e não do MinC. Isso não significa que o MinC deixasse de olhar, de dialogar, mas basicamente, da maneira como estava funcionando, toda a responsabilidade institucional orçamental e etc, vinha da UFRJ”, explicou Brant.

Segundo o ex-secretário do MinC, hoje a situação estrutural de orçamento é dramática. “Isso vem de uma combinação entre a falta de prioridade política com a lógica da austeridade, consagrada na Emenda Constitucional 95 e o teto dos gastos, completamente irracional”, disse. “O governo Temer é um desastre na cultura. A gente precisa conseguir investir dinheiro de verdade na cultura do Brasil. A Unesco fala em 2% do orçamento, o que significaria cerca de R$ 8 bilhões, um recurso razoável. Precisamos de um povo que viva cultura como algo que é parte de sua vida, não como uma exceção.”

Confira a entrevista na íntegra: