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09 de Maio de 2018, 08h29

Joaquim Barbosa vê três riscos para o Brasil: “Bolsonaro, um golpe de Temer e um golpe militar”

Sobre a desistência em participar das eleições presidenciais, Barbosa disse: “Meu coração já vinha me dizendo: não mexe com isso, não”

Atualizado às 12h16

Em entrevista ao jornalista do Globo, Lauro Jardim, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que acaba de desistir da corrida presidencial, disse enxergar três riscos para o Brasil.

Ele acha possivel Jair Bolsonaro se eleger. “Depois, o próprio Temer. Temo que ele, maquiavélico, possa articular algo para continuar no poder, ou mesmo uma aliança que o eleja”, disse. O terceiro é o pior de todos: “Temo também que haja espaço para um golpe militar”.

Sobre a desistência em participar das eleições presidenciais, Barbosa disse: “Meu coração já vinha me dizendo: não mexe com isso, não”.

Assim como fez em 2014, quando viajou para a Buenos Aires para ficar longe das eleições, Barbosa pretende fazer o mesmo este ano. Não declarará voto para nenhum candidato.

Relator da Ação Penal 470 (O Mensalão)

Joaquim Barbosa foi o Relator da Ação Penal 470 (chamada pela mídia hegemônica de “mensalão”), o processo de maior repercussão política da história do STF.  Em artigo da Carta Maior republicado nesta Fórum, em 2015, a jornalista Maria Inês Nassif lembra que “o Supremo Tribunal Federal (STF), a partir do caso chamado Mensalão, arvorou-se em fazer política com ‘p’ minúsculo, sem pensar nos precedentes que abria nos momentos em que jogava para a plateia, escolhia inimigos e relativizava a Constituição”.

Ela lembra ainda que Barbosa “continuou produzindo condenações altamente questionáveis mesmo depois de ter ido embora para casa tuitar palpites sobre uma democracia que ele não cuidou quando era ministro do Supremo”.

Fulminante, Maria Inês conclui: “Daí que o precedente Joaquim Barbosa gerou Sérgio Moro, que forçou a mão nas peças jurídicas que levaram ao indiciamento de uns, e deixaram passar culpas de seus oponentes”.

E relembra: “É esse legado que o país carrega do caso Mensalão. Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o Mensalão abriu o precedente de incluir a Justiça com parte de um terceiro turno eleitoral”.

Contra o impeachment de Dilma

O ex-ministro, por outro lado, foi frontalmente contra o impeachment de Dilma que, de acordo com ele, fez com que o Brasil perdesse credibilidade e voltasse a ser uma “República de Bananas”. Na ocasião, Barbosa disse ainda que “é tão artificial essa situação criada pelo impeachment que eu acho, sinceramente, que esse governo não resistiria a uma série de grandes manifestações”.

Polêmico e histriônico

Barbosa foi um ministro com trajetória polêmica no STF, pra dizer o mínimo. Em meio a uma discussão sobre o aborto com Marco Aurélio Mello, por exemplo, Barbosa afirmou que o colega, autor da liminar, não poderia ter arbitrado sobre um assunto tão relevante monocraticamente. Ao final da sessão, Marco Aurélio afirmou que, se não estivessem no século 21, “certamente” teriam duelado.

Em 2009, o presidente do STF voltou a protagonizar uma dura discussão no tribunal, uma das mais acaloradas da história do plenário do Supremo. Durante o debate, Barbosa acusou o ministro Gilmar Mendes de manter “capangas” no Mato Grosso.

“Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. […] Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite.”

Leia a entrevista completa em O Globo