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08 de Maio de 2014, 12h25

Jogos universitários no RJ terminam com ato machista

Para irritar a universidade adversária, alunos utilizam boneca inflável; para feministas atitude é vergonhosa e diminui imagem da mulher a objeto sexual

Para irritar a universidade adversária, alunos utilizam boneca inflável; para feministas atitude é vergonhosa e diminui imagem da mulher a objeto sexual

Por Redação

O JUCS (Jogos Universitários de Comunicação) do Rio de Janeiro terminou no domingo (4), mas deixou uma má recordação. Universitários da FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) levaram uma boneca inflável ao ginásio com a inscrição “PUC”, para irritar os adversários, provocando repúdio dos movimentos de mulheres. O Coletivo de Mulheres PUC-Rio, o Núcleo Feminista da Facha Pagu e o Coletivo Feminista Yabá, da PUC-SP, se manifestaram contra o ato.

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A legenda era: “já tem puta pra caralho e vieram duas da PUC” (Reprodução/Facebook)

Imagem da boneca, divulgada pelo Facebook, trazia a legenda: “Já tem puta pra caralho e vieram duas da PUC”. Em nota de repúdio, os coletivos afirmam que “a competição existente nos jogos não justifica esse ato, já que só reafirma o machismo dentro do ambiente universitário e desqualifica a sua própria vitória por não saber ganhar e manter o nível alto”.

“Vale lembrar que sexo deve ser encarado com mais naturalidade, não é algo humilhante e ter liberdade sexual não é uma ofensa”, pronunciaram os grupos feministas. Outro ponto de indignação foi a objetificação sexual: “Aliar a mulher a algo depreciativo como uma boneca inflável, a qual nos diminui a simples objeto sexual para satisfazer o prazer alheio, é uma atitude que esperamos que não se repita”.

Os coletivos reconhecem que atitudes discriminatórias em jogos universitários já têm história. Porém, frisam que isso não é motivo para aceitarem esse tipo de comportamento, já que é “algo realmente vergonhoso para pessoas que deveriam possuir conhecimento intelectual e capacidade de criar algo melhor”.

Em outra publicação feita após a repercussão do caso, as feministas mostram que nada disso é apenas uma brincadeira. “Dizem que é apenas uma brincadeira, mas a mesma brincadeira é usada para deslegitimar as lutas dos movimentos negros e LGBT, quando nos trotes chamam o calouro de ‘viadinho’ ou pintam o mesmo de preto e o acorrentam”.

Mesmo sendo maioria dentro das universidades, as feministas têm pouca empatia em sua luta. Os coletivos apontam que a culpa disso é a falta de espaços para discutir a posição das mulheres na sociedade. “Pensar sobre a realidade dos grupos oprimidos da sociedade é urgente, só assim teremos uma mudança real e atos assim não mais se repetirão”, propõem.