19 de fevereiro de 2019, 21h24

Jornal Nacional dedica todo o primeiro bloco aos áudios de Bolsonaro e Bebianno

Telejornal da Globo mostrou ainda a primeira derrota do governo em votação no Congresso e o envolvimento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, com o laranjal do PSL

Foto: Reprodução/TV Globo
O Jornal Nacional, veiculado na noite desta terça-feira (19) pela Rede Globo, usou todo seu primeiro bloco com uma extensa reportagem sobre os áudios de Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno e que intensificou a crise no governo. O telejornal reproduziu todo o material vazado pela Veja. Depois disso, ainda no primero bloco, mostrou a primeira derrota do governo no Congresso, após a aprovação da urgência de um projeto que sustou os efeitos do decreto que alterava as regras da Lei de Acesso à Informação, e o envolvimento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, com o laranjal do PSL. Ao...

O Jornal Nacional, veiculado na noite desta terça-feira (19) pela Rede Globo, usou todo seu primeiro bloco com uma extensa reportagem sobre os áudios de Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno e que intensificou a crise no governo. O telejornal reproduziu todo o material vazado pela Veja.

Depois disso, ainda no primero bloco, mostrou a primeira derrota do governo no Congresso, após a aprovação da urgência de um projeto que sustou os efeitos do decreto que alterava as regras da Lei de Acesso à Informação, e o envolvimento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, com o laranjal do PSL. Ao todo, foram usados 27 minutos.

No início, William Bonner e Renata Vasconcellos leram a nota do Globo, em resposta às declarações de Bolsonaro sobre a emissora, a chamando de “inimigo”.

Bolsonaro disse: “Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim. Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara. Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final”.

Resposta

“O Grupo Globo considera que não tem nem cultiva inimigos. A própria natureza de sua atividade jamais permitiria qualquer postura em contrário. Hoje, como sempre, sua missão é levar ao público jornalismo independente – dando transparência a tudo o que é relevante para o País – e entretenimento de qualidade. Continuaremos a trabalhar nesta mesma direção.

A visita de Paulo Tonet Camargo, Vice-Presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, ao então ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, constava da agenda pública do ministro, divulgada na internet. Visitas de diretores do Grupo Globo a autoridades dos diferentes poderes, servidores públicos, executivos de empresas e representantes da sociedade civil são rotineiras. E, nesse aspecto, não nos diferenciamos de qualquer grupo empresarial que pretenda ouvir todas as vozes de uma sociedade livre, de forma transparente e com agenda pública, mantendo relações estritamente institucionais e republicanas”.

Mentiras

Em seguida, o telejornal reproduziu todos os áudios vazados da Veja, mostrando que não foi Gustavo Bebianno quem mentiu, quando disse que falou com Bolsonaro por três vezes, mas, sim, o presidente, que não considerou a troca de mensagens de WhatsApp como sendo uma conversa.

Bolsonaro: “O caso incitando a saída é mais uma mentira. Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém”.

Bebianno retrucou: “Há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do seu lado, você sabe disso. Será que você vai permitir que o senhor seja agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe”.

Bolsonaro falou, ainda: “Ô, Gustavo, usar da… Que usou do Whatsapp para falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou mais responder a você. Outra coisa, eu sei que você manda lá no Antagonista, a nota (sobre Bolsonaro não atender Bebianno) foi pregada lá. Dias antes, você pregou uma nota que tentou falar comigo e não conseguiu no domingo. Eu sabia qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa a partir daqui pra frente”.

Após a divulgação de todos os áudios, o Jornal Nacional mostrou ampla repercussão no Congresso Nacional, com entrevistas com vários parlamentares, tanto aliados quando oposicionistas.

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