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19 de outubro de 2018, 23h16

Jornal Nacional se rende às evidências e divulga matéria sobre escândalo do WhatsApp de Bolsonaro

Após ignorar o assunto na quinta (18), telejornal da Rede Globo veicula ampla reportagem a respeito do esquema montado pela campanha de Bolsonaro, para que empresas banquem notícias falsas no WhatsApp

Foto: Reprodução/TV Globo
Depois de ignorar o assunto, na quinta (18), o Jornal Nacional, da Rede Globo, desta sexta-feira (19), teve de se render às evidências e divulgou uma matéria de mais de nove minutos sobre o escândalo do esquema de fake news espalhadas pelo WhatsApp em benefício de Jair Bolsonaro (PSL). Nem o telejornal conseguiu esconder o esquema de caixa dois do presidenciável divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo. A reportagem do JN começou dizendo que o aplicativo de mensagens anunciou hoje que está investigando as empresas citadas pela matéria que mostra a denúncia. “Elas são suspeitas de integrar um esquema que...

Depois de ignorar o assunto, na quinta (18), o Jornal Nacional, da Rede Globo, desta sexta-feira (19), teve de se render às evidências e divulgou uma matéria de mais de nove minutos sobre o escândalo do esquema de fake news espalhadas pelo WhatsApp em benefício de Jair Bolsonaro (PSL). Nem o telejornal conseguiu esconder o esquema de caixa dois do presidenciável divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo.

A reportagem do JN começou dizendo que o aplicativo de mensagens anunciou hoje que está investigando as empresas citadas pela matéria que mostra a denúncia. “Elas são suspeitas de integrar um esquema que visava a caluniar o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad”, disse William Bonner. Em seguida, foi dito que as contas dessas empresas foram bloqueadas.

Depois, o Jornal Nacional mostrou a reportagem da Folha, onde foi veiculado que empresários pagavam até R$ 12 milhões por esse serviço, o que é uma prática ilegal. Mesmo assim, o jornalístico da Globo disse que a matéria “não exibiu documentos nem mencionou relatos de testemunhas”.

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Em seguida, o JN mostrou a versão dos acusados. Um deles, o empresário Luciano Hang, dono da Havan. No jornal, foi dito que ele negou a compra de impulsionamentos e que “desafiou a Folha a mostrar algum contrato seu com empresas que usaram o WhatsApp” para disseminar notícias falsas. Todas as outras empresas citadas na reportagem que denunciou o escândalo, segundo o Jornal Nacional, negaram envolvimento no esquema.

Depois, o programa da Globo disse que, com base na reportagem da Folha, o PT ingressou com uma ação para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigue o candidato do PSL e que o declare inelegível por oito anos. O partido também ressaltou o caráter eleitoral evidente da prática de caixa dois. Também foi citada a ação em que o PDT pede uma nova eleição de primeiro turno sem Bolsonaro.

De acordo com o JN, o ministro Jorge Mussi, corregedor do TSE, abriu a investigação pedida pelo PT, mas rejeitou todas as medidas cautelares, como busca e apreensão e quebra de sigilo. Segundo ele, é preciso ouvir a outra parte antes. Além disso, Mussi afirmou que o pedido do partido é baseado apenas em uma matéria jornalística. O ministro deu cinco dias para Bolsonaro responder aos questionamentos.

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Também foi citado na matéria do Jornal Nacional que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para que a Polícia Federal instaure um inquérito para investigar esquemas de notícias falsas de ambos os candidatos.

O jornal também divulgou uma fala de Haddad em que ele diz que a denúncia da Folha é “muito séria”. “Uma denúncia de que, via caixa dois, o meu adversário tinha feito uma espécie de tsunami cibernético com uma quantidade enorme de calúnias contra mim”, afirmou o petista. Segundo ele, sua família foi atingida com as mentiras espalhadas por Bolsonaro. Em seguida, o JN mostrou o militar se defendendo, dizendo que o que a matéria da Folha traz não é “nada comprometedor”.

Depois disso, a GloboNews, emissora a cabo da Rede Globo, também mostrou a matéria em um dos de seus programas jornalísticos.

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