11 de outubro de 2018, 17h59

Jornalista é agredida e ameaçada de estupro por apoiadores de Bolsonaro em Recife

No momento em que deixava o local de votação, no domingo, a repórter foi abordada por dois homens, sendo que um deles usava camisa de Jair Bolsonaro; fato motivou nota de repúdio da Abraji

Uma jornalista de 40 anos, que trabalha no portal NE10, foi agredida ao deixar uma zona eleitoral, onde votou, no domingo (7), na Zona Norte do Recife (PE). De acordo com a vítima, que teve o rosto e os braços cortados, ela foi espancada e ameaçada de estupro por dois homens na rua. As informações são do Portal OP9.

A agressão ocorreu no momento em que a repórter saía do local de votação e os agressores a abordaram, segurando-a pelo braço. “Eles disseram que quando o comandante ganhasse, a imprensa toda ia morrer”, relatou. Segundo a vítima, um dos agressores usava a camisa do candidato à presidência Jair Bolsonaro.

O fato motivou uma nota de repúdio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Acompanhe a íntegra da nota:

Jornalista é agredida e ameaçada de estupro em Recife (PE)

Uma jornalista do portal NE10 foi agredida e ameaçada de estupro no último domingo (7), em Recife (PE). A profissional deixava o local em que acabara de votar, na Zona Norte da capital pernambucana, quando foi abordada por dois homens que a seguraram pelo braço.

Ao verem seu crachá de jornalista, chamaram-na de “riquinha”, disseram que ela era “de esquerda”. Segundo a vítima, os agressores disseram que “quando o comandante ganhasse, a imprensa toda ia morrer”. Um deles usava calça jeans e uma camiseta preta com a foto de Jair Bolsonaro (PSL) e os dizeres “Bolsonaro Presidente”.

“Um deles disse: ‘vamos logo estuprar ela’. O outro afirmou que era melhor me cortar toda”, contou a jornalista ao site OP9. Com o pedaço de ferro que carregavam, os homens feriram a comunicadora no queixo e no braço. Fugiram assustados pela buzina de um carro que passava na rua.

A profissional registrou Boletim de Ocorrência na delegacia do Espinheiro. O delegado titular Rômulo Alves declarou ao Jornal do Commercio que “todas as providências necessárias já foram tomadas pela Polícia Civil”. Segundo ele, a polícia foi ao local para tentar identificar os suspeitos.

A Abraji condena a agressão e oferece solidariedade à jornalista. A democracia é incompatível com atos de violência e intimidação contra comunicadores, especialmente em contexto político-eleitoral.

Quando um(a) jornalista é agredido ou silenciado(a), toda a sociedade é ferida em um de seus direitos fundamentais: o de acesso a informações.