01 de dezembro de 2018, 10h43

Jornalista esportiva revela assédio e machismo na TV: “jogador passou a mão no meu peito”

Renata Cordeiro afirma que há um forte machismo na televisão e lembra caso em que sofreu assédio sexual de um ex-jogador do Corinthians

(Reprdução)

A jornalista Renata Cordeiro, ex-SBT, Sportv, Bandeirantes, Record e, por último, Fox Sports, deu uma longa entrevista ao UOL Esporte, onde afirma que foi assediada na televisão por um jogador e que há um forte machismo no jornalismo esportivo. Disse ainda que as mulheres têm que viver escrevas da beleza, serem jovens e magras.

Segundo Renata, o assédio ocorreu duas vezes no programa de Milton Neves, na TV Record. “Um atacante do Corinthians passou a mão no meu peito, foi horrível. E por incrível que pareça eu não lembro o nome dele. Foi um cara que até brilhou uma época no Corinthians, fez alguns gols, e depois desapareceu, escafedeu-se. Ele veio se despedir de mim e, como se ele fosse pegar no meu braço, ele passou a mão no meu peito. Eu achei que ele tinha feito sem querer, e eu pensei: ‘ah, numa boa, acontece, a pessoa pode esbarrar, normal’, enfim… Aí na segunda vez, por prevenção, eu botei um casaco por cima, só nos ombros, e ele veio por dentro e passou a mão de novo, como se nada houvesse, aí eu pensei: ‘cara, que chato’”.

A jornalista ainda lembrou de uma discussão com outro jogador que reclamou que ela dava opinião demais. “Eu fiquei olhando para ele e: ‘Ué. Eu estou aqui para quê, né’? E tem outro preconceito que eu acho que a mulher sofre, e isso é uma constante: a mulher tem que ser jovem, tem que ser magra e tem que ser bonitinha. O homem pode ser careca, barrigudo, com dente torto [risos], o que seja. Mas a mulher, não.”

Aos 48 anos, Renata deixou a Fox em junho de 2017, após o término de seu contrato e sem, sequer receber um telefonema. “A Fox não me demitiu, ela simplesmente não me deu um telefonema para dizer ‘olha, acabou o seu contrato’, ou ‘não acabou’. Não disse nada, absolutamente nada. Bonito, né? Eu fiquei muito chateada, fiquei uma semana de cama.”

Leia a entrevista concedida a Marcello De Vico e Vanderlei Lima aqui.