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21 de julho de 2014, 12h00

Jornalistas sofrem punição por transmitir informações sobre o massacre de Gaza

Para cobrir o conflito em Gaza, jornalista precisa se segurar e não dizer o que vê. Do contrário, é punido e retirado da Palestina Por Rita Freire, da Ciranda Internacional Ayman Mohyeldin é o jornalista que presenciou e divulgou as mortes de Ismail, Zakaria, Ahed e Mohamed, de idades entre 9 e 11 anos, caçados por radar […]

Para cobrir o conflito em Gaza, jornalista precisa se segurar e não dizer o que vê. Do contrário, é punido e retirado da Palestina

Por Rita Freire, da Ciranda Internacional

"Quatro meninos palestinos mortos em apenas um bombardeio israelense. Minutos antes eles estavam perto de nosso hotel, eu joguei futebol com eles", escreveu Ayman Mohyeldin em seu Twitter (Foto: Reprodução/Twitter)

“Quatro meninos palestinos mortos em apenas um bombardeio israelense. Minutos antes eles estavam perto de nosso hotel, eu joguei futebol com eles”, escreveu Ayman Mohyeldin em seu Twitter (Foto: Reprodução/Twitter)

Ayman Mohyeldin é o jornalista que presenciou e divulgou as mortes de Ismail, Zakaria, Ahed e Mohamed, de idades entre 9 e 11 anos, caçados por radar e finalmente atingidos pelos mísseis de Israel quando brincavam em um praia de Gaza.

Jornalista americano de origem egípcia, ele é veterano. Trabalhou na Palestina para a Al Jazeera, para a CNN e para a NBC, que o emprega atualmente. Ayman estava jogando futebol na praia com os quatro meninos, momentos antes de serem assassinados. Portanto, foi o jornalista a relatar com mais detalhes tudo que presenciou.

O mundo recebeu suas notícias, as imagens das mães e pais ao saber das mortes, o testemunho de Moutaz Bakr, o menino ferido, levado ao hospital após ter visto os outros morrerem.

O repórter recebeu elogios nas redes pela cobertura, e pelas informações que também postou no Twitter e no Instagram. Mas em seguida recebeu ordens da direção da NBC para deixar Gaza.

O argumento foi de retirada por “questões de segurança” mas, segundo o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, a NBC enviou outro correspondente para substituí-lo: “Richard Engel, juntamente com um produtor americano que nunca foi a Gaza e não fala árabe, para cobrir o ataque israelense em curso”.

A censura foi denunciada na internet, também pela rede anti-sionista norte-americana Jewish Voice for Peace, que condena Israel pela ocupação e os ataques a Gaza, e que fez um apelo, em sua página do Facebook, para que o jornalista volte ao seu posto e não seja punido por fazer um trabalho honesto e corajoso.

Diana Magnay (Foto: Reprodução/CNN)

Diana Magnay (Foto: Reprodução/CNN)

A outra vítima da censura é a jornalista Diana Magnay, da rede CNN, que trabalhava na fronteira entre Israel e Gaza. Ali ela presenciou um grupo de israelenses torcendo e comemorando o lançamento de mísseis sobre Gaza. Relatou o fato em sua conta no Twitter e chamou o grupo de “escória”, apesar das ameaças que sofreu.

“Os israelenses no monte acima de Sderot torciam enquanto bombas caíam em Gaza; ele ameaçaram destruir nosso carro se eu falasse alguma palavra errada. Escória”, escreveu no Twitter.

A CNN pediu desculpas por Diana Magnay e transferiu a jornalista para Moscou.

Foto de capa: o jornalista Ayman Mohyeldin (Reprodução)