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25 de outubro de 2018, 16h13

Jovem é atacado e ameaçado com arma por dois suspeitos que não queriam “viadinho” na Penha

“A única certeza que eu tinha era que depois eles iam atirar e eu ia morrer e ficar jogado ali", diz Kaique Carvalho Simas, de 25 anos

Foto: Arquivo Pessoal
O jovem Kaique Carvalho Simas, de 25 anos, foi agredido e ameaçado com uma arma por dois homens por volta da meia noite de domingo (21) para segunda-feira (22) em uma praça próxima a sua casa, na Penha, zona leste de São Paulo. De acordo com a vítima, os agressores afirmaram que não queriam “viadinho na quebrada”. Em entrevista à Fórum, o jovem afirma que estava voltando para casa e que, para cortar caminho, resolveu passar pela praça, onde avistou os dois homens que vieram em sua direção, passaram e depois voltaram. “Foi como se eles não estivessem me enxergado...

O jovem Kaique Carvalho Simas, de 25 anos, foi agredido e ameaçado com uma arma por dois homens por volta da meia noite de domingo (21) para segunda-feira (22) em uma praça próxima a sua casa, na Penha, zona leste de São Paulo. De acordo com a vítima, os agressores afirmaram que não queriam “viadinho na quebrada”.

Em entrevista à Fórum, o jovem afirma que estava voltando para casa e que, para cortar caminho, resolveu passar pela praça, onde avistou os dois homens que vieram em sua direção, passaram e depois voltaram. “Foi como se eles não estivessem me enxergado e sim sentido meu cheiro”, lembra.

“Eles já chegaram falando que eu estava tirando eles porque eu olhei pra eles e começaram a me xingar de ‘viadinho’. Eu ainda estava andando. Foi quando um deles tirou a arma da cintura e mandou eu deitar no chão dizendo que não estava brincando”, afirma Kaique , que diz ter ficado em choque na hora em que as agressões começaram. “Não passava nada pela minha cabeça. Eu só deitei de barriga pra cima e fiquei com a cabeça levantada”, relata.

Depois disso, um deles chutou o lado do ouvido do jovem, que protegeu seu rosto. Neste momento, segundo a vítima, aconteceu a situação mais tensa: “O cara que estava armado tirou minha mão do meu rosto e destravou a arma apontando pra mim, pro meu rosto e disse que se eu gritasse ele ia atirar. Disse que não queria ‘viadinho’ andando pela ‘quebrada’. Ele perguntou se eu morava por ali e eu disse que sim, mas eles não acreditaram e me deram uma joelhada no rosto”, diz o jovem.

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Ele diz que ficou desnorteado com a agressão e que sua cabeça, naquele momento, encostou no chão. “Quando peguei impulso pra levantar a cabeça, eu só senti o cano da arma na minha testa. Escutei um barulho muito grande na minha cabeça, ouvi ruídos no meu ouvido e senti o sangue saindo. Eu levantei do chão e falei pra eles: ‘tá sangrando!’. Achei que eles iam deixar eu ir”, relata.

Depois disso, o homem que estava armado mandou o jovem deitar mais uma vez. Então outra sessão de violência aconteceu. Com chutes em sua cabeça, Kaique diz que não conseguia pensar em nada. “A única certeza que eu tinha era que depois eles iam atirar e eu ia morrer e ficar jogado ali. Mas eles pararam de me bater, tiraram o meu tênis e mandaram eu sair andando, eu peguei meu tênis e sai correndo pra casa”, afirma a vítima.

Segundo ele, assim que os agressores mandaram ele ir embora, ele pensou que iriam atirar. “Depois que sai da visão deles eu só pensava como eu ia chegar daquele jeito em casa e não assustar tanto minha mãe, para que ela não passasse mal”, relembra o jovem que fez um boletim de ocorrência sobre o caso. Agora, a Polícia Civil investiga o caso.

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Além disso, o jovem também fez um relato do acontecido em suas redes sociais. No post, que viralizou na internet, ele diz que “as eleições não acabaram, o presidente não foi decidido, o porte de arma ainda não foi liberado, mas o ódio já foi espalhado”. “Mesmo sem liberação de revolver, essas pessoas portavam um e podiam ter me matado e com certeza não eram pessoas ‘do bem’”, afirmou Kaique em sua publicação.

Questionado pela reportagem sobre os motivos de ter publicado o relato nas redes, o jovem afirma que é necessário que as pessoas vejam o lado real da vida. “Sempre soube que no mundo possui ódio e preconceito, mas depois que o candidato se revelou preconceituoso e espalhou discursos de ódio e violência, a tolerância tem diminuído muito. Antes era algo mais contido”, afirma a vítima.

“Se não tivesse esses discursos com incentivo a violência, talvez o Brasil não estivesse passando por momentos de tantos ataques, de violência gratuita. Muitas pessoas que conheço não percebem isso. Violência não gera segurança, tortura não gera segurança e preconceito não gera segurança”, desabafa.

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Mesmo assim, Kaique diz que está recebendo apoio de familiares, amigos e desconhecidos. “Apesar dos comentários ruins que tenho recebido, muitas pessoas me enviam mensagem de amor e carinho. Essas mensagens me emocionam”, diz o jovem.

A reportagem questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) sobre o caso e, por meio de nota, a pasta se posicionou dizendo que “o 10º DP instaurou um inquérito policial para investigar o caso”. Ainda de acordo com a SSP, “a vítima foi ouvida e equipes realizam diligências em busca de elementos que auxiliem na identificação dos autores”.

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