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14 de agosto de 2018, 17h49

Jovem negra é condenada por assalto, apesar de provar que estava em outra cidade

Advogado de defesa da modelo aponta que as acusações são frágeis e critica a rejeição dos documentos que comprovam a inocência de Bárbara Querino

A modelo Bárbara Querino foi condenada, na última sexta-feira (10), pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a cinco anos de prisão, sob acusação de assalto. A defesa alega que as acusações são frágeis e que apresentou provas da inocência de sua cliente. Segundo o advogado Bruno Cândido Sanfoka, o juiz desconsiderou as fotos e vídeos que provam que ela tinha viajado ao Guarujá, litoral paulista, onde foi contratada para se apresentar em um evento, no dia 10 de setembro do ano passado, data em que ocorreram os assaltos, em São Paulo, segundo reportagem de Felipe Mascari, da RBA. “O argumento do...

A modelo Bárbara Querino foi condenada, na última sexta-feira (10), pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a cinco anos de prisão, sob acusação de assalto. A defesa alega que as acusações são frágeis e que apresentou provas da inocência de sua cliente. Segundo o advogado Bruno Cândido Sanfoka, o juiz desconsiderou as fotos e vídeos que provam que ela tinha viajado ao Guarujá, litoral paulista, onde foi contratada para se apresentar em um evento, no dia 10 de setembro do ano passado, data em que ocorreram os assaltos, em São Paulo, segundo reportagem de Felipe Mascari, da RBA.

“O argumento do juiz para condenar foi dizer que as fotos (do evento no Guarujá) não estavam datadas, mas o processo tem três testemunhas: uma que foi convidada a viajar junto; outra, que fez as postagens na rede social e afirmou em juízo que foi ela que postou e uma outra, que afirmou que a Bárbara estava no mesmo carro”, relata Bruno.

Segundo o advogado de Bárbara, a acusação é frágil, já que a única prova contra Bárbara é o depoimento de duas vítimas que disseram reconhecê-la. Ele garante que as declarações são rasas, e que uma das testemunhas conta estar de costas para a cena do assalto. A outra declarou que o cabelo dela era parecido com o da criminosa.

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“O caso da Bárbara lembra o que aconteceu com o Vinicius Romão, que ‘todo preto é igual’. A vítima (do assalto) não reconhecer o fenótipo dela, e acha que, pelo cabelo e tamanho, ‘pode’ ser ela. Se fosse uma pessoa branca, fariam questão de verificar uma identidade”, critica o advogado.

Bruno lembra ainda que, quando o réu é negro, há uma relativização das garantias fundamentais. “A Bárbara não teve direito à presunção de inocência. Você percebe que não há uma vontade do Judiciário para isso”, diz, indignado.

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