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18 de setembro de 2013, 16h43

Jovens que se beijaram “poderiam ter dado voz de prisão” a Feliciano por abuso de autoridade

Afirmação é do diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, que considera a prisão delas "ilegal"

Afirmação é do diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, que considera a prisão delas “ilegal”

Por Igor Carvalho

Segundo Sampaio, o beijo das jovens não configura uma infração do artigo 208 do Código Penal (Foto: Reprodução/Facebook)

Segundo o diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, Martim de Almeida Sampaio, as jovens Joana Palhares e Yunka Mihura, detidas por terem se beijado durante culto dirigido pelo pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), “poderiam ter dado voz de prisão ao pastor por abuso de autoridade”, caso tivessem conhecimento sobre o Código Penal.

As duas foram detidas e conduzidas ao 1º DP de São Sebastião, e alegam terem sido vítimas de violência. “Nunca imaginei que seria agredida, violentada, algemada e presa por beijar uma mulher em público”, afirmou Joana em seu perfil no Facebook. As agressões teriam partido de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), segundo as jovens.

Passavam das 23h quando o pastor Feliciano ordenou que as jovens fossem presas, sendo prontamente atendido pelos agentes GCM. Apesar do espaço, localizado na Rua da Praia, ser público, a prefeitura alega que está amparada pela Lei 14524/11, porém, o texto da lei não resguarda o caráter privado do ambiente.

Joana e Yunk foram enquadradas no artigo 208 do Código Penal, que prevê pena de detenção de um mês a um ano ou multa ao cidadão que “zombar de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa e impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso”.

Segundo Sampaio, a prisão foi “ilegal”, pois o ato de beijar alguém não  se configura como infração. “Primeiro, o espaço ali era público, pelo que li na imprensa. Segundo, o Código Penal brasileiro não criminaliza relações afetivas, seja ela entre homens ou mulheres. Elas tiveram apenas um gesto de afeto e amor que deve ser respeitado.” Para ele, o artigo só poderia ser utilizado nesta circunstância se as jovens “estivessem desnudas e mantivesse uma relação sexual.”

Joana afirma ter sido encurralada pelos agentes da GCM e que levou “três tapas” de um dos guardas, além de empurrões, após terem sido levadas para longe dos fiéis. A prefeitura  de São Sebastião informou que a guarda “agiu, conversando com as manifestantes e na tentativa de retirá-las do local com segurança, tendo em vista que o grupo corria o risco de um possível mal maior por parte de milhares de pessoas que insinuavam uma agressão.”

Feliciano

Um vídeo, publicado na internet, mostra que, enquanto as jovens eram conduzidas pelos agentes para longe dos fiéis, Feliciano comparou as garotas a “cachorrinhos”. “Ignorem, ignorem. Cachorrinho que está latindo é assim, você ignorou, ele para de latir”, afirmou o deputado.

Em sua conta no Twitter, o deputado mais uma vez falou sobre o assunto. “Indivíduos invadem o culto, desrespeitam crianças, idosos, agridem as autoridades, chutam os policiais, e por fim dizem ser vítimas?”. A prefeitura de São Sebastião informou não saber sobre qualquer ato de violência cometido pelas jovens contra os agentes da GCM.

Por fim, também pelo Twitter, o pastor afirmou que as meninas precisam de “tratamento mental urgente”.  Sampaio lamentou que Feliciano ocupe, ainda, a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). “Esse senhor nos mostra mais uma vez que ele é a pessoa inadequada para estar na da CDHM.”

Confira vídeo do momento da prisão das jovens que se beijaram em um culto de Marco Feliciano: