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18 de setembro de 2015, 17h46

Juiz cita Rage Against The Machine para absolver réu acusado de desacato

Magistrado usou trechos da música Killing in the name na epígrafe da sentença; segundo jornal, réu foi acusado por PMs de se recusar a obedecer suas ordens Por Redação O juiz André Vaz Porto Silva, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, utilizou versos de uma música da […]

Magistrado usou trechos da música Killing in the name na epígrafe da sentença; segundo jornal, réu foi acusado por PMs de se recusar a obedecer suas ordens

Por Redação

(Imagem: Extra)

(Imagem: Extra)

O juiz André Vaz Porto Silva, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, utilizou versos de uma música da banda norte-americana Rage Against The Machine para absolver um réu acusado de desacato por policiais militares. Na epígrafe da decisão, o magistrado escreveu “Fuck you/I won’t do what they tell me” (“Foda-se, não vou fazer o que eles mandam”, na tradução para o português), do hit Killing in the name. As informações são do Extra.

Segundo o portal, policiais disseram que o réu Welington André Ferreira se recusou “a obedecer ordem dos PMs no sentido de encostar na parede para ser revistado, e por tê-los desacatado ao dizer ‘vão se foder, eu conheço meus direitos, vão tomar no cu, seus filhos da puta’”. O juiz, entretanto, não se convenceu com a versão dos agentes, cujos depoimentos apresentavam “inconsistências. “Constato que a ordem emanada dos policiais — para que o acusado assentisse com sua revista pessoal — revestiu-se de duvidosa legalidade”, argumentou o magistrado. “Regras corruptas não merecem obediência”, adicionou.

Ainda de acordo com o Extra, na sentença, que data de agosto, o juiz afirma que as abordagens policiais têm motivações “racistas e classistas”: “essa espécie de procedimento, como informam as próprias regras de experiência, marcam o dia a dia da atividade policial, visto materializarem a incidência seletiva do sistema penal em termos de criminalização secundária por seus critérios tipicamente racistas e classistas”.