18 de novembro de 2018, 08h31

Juiz proíbe TV Globo de divulgar investigação do assassinato de Marielle Franco

Nesta sexta-feira (15), antes da censura judicial, a TV Globo, que teve acesso ao inquérito, noticiou que o vereador carioca Marcelo Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Curicica continuam sendo tratados como os principais suspeitos.

Reprodução/Montagem

O juiz Gustavo Gomes Kalil, da Quarta Vara Criminal do Rio de Janeiro, acatou o pedido da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e do Ministério Público do estado, e proibiu a TV Globo de divulgar o conteúdo de qualquer parte do inquérito policial que apura os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Na decisão, o juiz diz que “o vazamento do conteúdo dos autos é deveras prejudicial, pois expõe dados pessoais das testemunhas, assim como prejudica o bom andamento das investigações, obstaculizando e retardando a elucidação dos crimes hediondos em análise”.

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Nesta sexta-feira (15), antes da censura judicial, a TV Globo, que teve acesso ao inquérito, noticiou que o vereador carioca Marcelo Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Curicica continuam sendo tratados como os principais suspeitos.

Citando a investigação, a Globo divulgou que três pessoas, e não duas como a polícia acreditava inicialmente, estavam no carro de onde partiram os tiros que mataram a vereadora e que a Divisão de Homicídios ainda concluiu que o carro utilizado no crime, da marca Cobalt, foi preparado para o assassinato. Uma análise mais detalhada do veículo clonado demonstrou que suas maçanetas pretas são raras e que o formato da janela não coincide com o de outros carros do mesmo tipo.

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Na decisão, o juiz Gustavo Kalil proíbe a emissora de divulgar termos de declarações, mesmo sem a identificação das testemunhas. Proíbe, também, a divulgação das técnicas e procedimentos sigilosos usados na investigação; dos conteúdos de gravações de áudios de pessoas investigadas ou não; de conteúdos telemáticos, ou seja, de áudios e mensagens, extraídos de contas de e-mails e telefones das vítimas, testemunhas e investigados; e, ainda mais, qualquer outro conteúdo do inquérito.

Em reportagem no site G1, a TV Globo diz que vai cumprir a decisão judicial. “Mas, por considerá-la excessiva, vai recorrer da decisão, porque ela fere gravemente a liberdade de imprensa e o direito de o público se informar, especialmente quando se leva em conta que o crime investigado no inquérito é de alto interesse público, no Brasil e no exterior”.

Neste domingo, a emissora já havia retirado do ar as reportagem sobre o caso.

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