09 de agosto de 2018, 16h51

Juízes do STF têm vencimentos proporcionalmente maiores do que colegas europeus

Salários de um ministro do Supremo, que é o teto do funcionalismo, hoje está em R$ 33,7 mil; com o reajuste, chegará a R$ 39 mil

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovaram, nesta quarta-feira (8), uma proposta orçamentária que prevê reajuste salarial de 16,38% para a Corte em 2019. O placar foi de 7 votos favoráveis e 4 contrários. O aumento era reivindicado pela magistratura desde 2015. O salário de um ministro do STF é o teto do funcionalismo e hoje está em R$ 33,7 mil. Com o reajuste, chegará a R$ 39 mil.

Segundo reportagem de André Shalders, da BBC Brasil, em caso de comparação com os salários de juízes de outros países, os vencimentos do Judiciário brasileiro estão longe de serem modestos. Uma pesquisa, de 2016, da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça, indica que, em 2014, um juiz da Suprema Corte dos países do continente ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, o salário-base de R$ 33,7 mil do STF corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador do país.

De acordo com a última edição do relatório Justiça em Números, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil tem hoje cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros). Eles custam cada um, em média, R$ 47,7 mil por mês – incluindo salários, benefícios e auxílios. O custo de um magistrado é, portanto, quase 20 vezes a renda média do trabalhador brasileiro. Se os salários no STF forem reajustados para R$ 39,3 mil, passarão a ser 39 vezes maiores que o salário mínimo previsto para 2019, que é R$ 998.


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