13 de março de 2019, 11h54

O momento é de acúmulo de forças e desgaste progressivo do governo Bolsonaro

Vamos falar de milícia, mas também de aposentadoria, emprego, salário, direitos, liberdades e democracia - que só podem vir com #LulaLivre e, portanto, outro projeto de país

Que dia! É compreensível a excitação que um turbilhão como o de hoje nos causa. Fatos novos nos animam e dão fôlego pra luta. Entretanto, gostaria de fazer um apelo para que coloquemos nosso sangue no congelador e arranquemos o fígado. Só cérebro e respiração funda nos salvam nessa hora. Vamos lá: i. não há ainda nenhum sinal de que o conjunto das classes dominantes nacionais e o imperialismo já decidiram por se livrar do clã Bolsonaro – eu cometi esse erro impressionista em 2017 acreditando que o movimento de Janot e Globo representavam um consenso consolidado no andar de...

Que dia!

É compreensível a excitação que um turbilhão como o de hoje nos causa. Fatos novos nos animam e dão fôlego pra luta.

Entretanto, gostaria de fazer um apelo para que coloquemos nosso sangue no congelador e arranquemos o fígado. Só cérebro e respiração funda nos salvam nessa hora.

Vamos lá:

i. não há ainda nenhum sinal de que o conjunto das classes dominantes nacionais e o imperialismo já decidiram por se livrar do clã Bolsonaro – eu cometi esse erro impressionista em 2017 acreditando que o movimento de Janot e Globo representavam um consenso consolidado no andar de cima pela derrubada de Temer e não era isso;

ii. como não há um plano genial estratégico e nem um politburo que unifique todas as os setores burgueses, nacionais e internacionais, suas frações e representações (na mídia, na burocracia estatal, no mercado, no parlamento) então é mister reconhecer que o quadro é instável, o cenário aberto e a conjuntura quente;

iii. a confusão instaurada não nos autoriza, por outro lado, a confundir movimentos conjunturais e superficiais com movimentações objetivas e subjetivas concretas e profundas na correlação de forças entre as classes, na insatisfação das massas, na sua disposição de luta e na nossa real capacidade de mobilização social;

iv. a derrota que sofremos em 2016 e 2018 não se anula em poucos meses, por mais estapafúrdio que seja esse governo;

v. a hegemonia de extrema direita não está abalada e não podemos cair na tentação de superestimar o desgaste de Bolsonaro, que ainda tem muita gordura pra queimar;

vi.o foco deve ser atirar, sangrar, desgastar, corroer, empentelhar, denunciar, sabotar o governo Bolsonaro e apontar para a inviabilização de suas pautas no Congresso (reforma da previdência, desvinculação orçamentária, pacote Moro, medidas anti-sindicais e anti-ambientais, etc)

vii.não tem caminho fácil, nem atalho -precisamos vincular, cada vez mais, a denúncia das medidas do Bolso e do caráter criminoso do governo com a campanha #LulaLivre, que ganha um espaço maior para se desenvolver ao ser atrelada ao repúdio ao governo e à reforma da previdência;

viii. não precisamos antecipar cenários ou sofrer por antecipação, nos rasgando para parir imediatamente uma palavra de ordem milagrosa, unificadora – que poderia resolver a conjuntura a favor do povo nos próximos meses – a bola tá no campo deles, vamos atrapalhar o jogo e estimular a bateção de cabeça: muita, muita calma nessa hora, ou como cantava Raul: “oh baby, a gente ainda ainda nem começou”;

ix. resumindo: o momento é de sangrar, sangrar e sangrar o governo e focar na reforma da previdência com #LulaLivre – qualquer movimento mais afoito pode nos colocar no papel de tirar a castanha do fogo para eles (não vamos ser parte da disputa inter-burguesa).

Ou seja: vamos falar de milícia, mas também de aposentadoria, emprego, salário, direitos, liberdades e democracia – que só podem vir com #LulaLivre e, portanto, outro projeto de país.

Foco, paciência, frieza, garra para lutar e persistência. Que o otimismo da vontade não nos impeça de fazer um diagnóstico preciso da situação. Às ruas! #Mariellevive