03 de dezembro de 2018, 22h11

Justiça do Chile condena 53 agentes do Estado por mortes durante ditadura militar

De acordo com números oficiais, durante a ditadura de Pinochet, cerca de 3.200 chilenos foram mortos por agentes do Estado, dos quais 1.192 figuram ainda como presos desaparecidos

Foto: Reprodução/YouTube

A Justiça do Chile condenou, nesta segunda-feira (3), 53 agentes de Estado por crime de responsabilidade no assassinato de integrantes do Partido Comunista, em 1976, durante a ditadura do general Augusto Pinochet. Esta foi uma das maiores sentenças no país relacionadas a violações de direitos humanos, de acordo com informações da Agência Brasil.

Conforme comunicado do Poder Judiciário, Miguel Vázquez Plaza, juiz especial para casos de violações aos direitos humanos da Corte de Apelações de Santiago, expediu a sentença pelo crime de sequestro qualificado.

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As vítimas foram Mario Zamorano Donoso, Onofre Muñoz Poutays, Uldarico Donaire Cortéz, Jaime Donato Avendaño, Elisa Escobar Cepeda, Lenin Díaz Silva, Eliana Espinoza Fernández e Víctor Díaz López, todos integrantes do Partido Comunista chileno.

As penas dos agentes, todos integrantes da Direção de Inteligência Nacional (DINA), a polícia secreta da ditadura entre 1973 e 1977, oscilaram entre três e 20 anos de prisão. Entre os condenados estão o brigadeiro do Exército Miguel Krassnoff Martchenko, que, com a sentença de hoje, soma 700 anos de prisão por violações aos direitos humanos.

Segundo estabeleceu a investigação, todas as vítimas do processo foram detidas para ser interrogadas e torturadas em razão da sua militância política, para que dessem informações sobre as atividades do partido e, especialmente para que, posteriormente, identificassem outros membros na clandestinidade. “Tais constrangimentos não cessavam até a obtenção da informação requerida ou até a inconsciência das vítimas”, relatou a decisão.

Os agentes utilizaram uma bolsa plástica com a qual cobriam a cabeça da pessoa, amarrando-a ao pescoço e impedindo-lhe a respiração, o que provocava a morte por asfixia. Uma vez constatada a morte, muitos dos corpos foram colocados em grossas bolsas de polietileno, que eram amarradas com arames em torno da cintura, atando-os a um pedaço de barra de metal para serem lançados ao mar.

O juiz Vázquez Plaza estabeleceu, ainda, que o lançamento de corpos ao mar foi uma prática sistemática utilizada pelos agentes de segurança entre 1974 e 1978.

De acordo com números oficiais, durante a ditadura de Pinochet, cerca de 3.200 chilenos foram mortos por agentes do Estado, dos quais 1.192 figuram ainda como presos desaparecidos. Pelos registros, na época da ditadura, 33.000 pessoas foram torturadas e presas por motivos políticos.

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