03 de julho de 2018, 20h51

Justiça do Chile condena nove militares da reserva por execução do cantor Víctor Jara

Artista foi detido, torturado e assassinado poucos dias depois do golpe que colocou Augusto Pinochet no poder, em 1973

Foto: Reprodução/YouTube

A Justiça do Chile condenou, nesta terça-feira (3), nove militares da reserva pelo assassinato do cantor Víctor Jara, segundo informações da Folha de S.Paulo. Ativista, ele foi preso, torturado e executado com 44 tiros nas dependências do Estádio Nacional de Santiago, em 1973, poucos dias após o golpe militar que levou ao poder o general Augusto Pinochet.

“O ministro visitante de processos de direitos humanos Miguel Vázquez Plaza condenou a nove membros do Exército na reserva por sua responsabilidade nos homicídios do cantor Víctor Jara Martínez e o ex-diretor de prisões Littre Quiroga Carvajal, ocorridos em setembro de 1973 em Santiago”, destacou um comunicado do Poder Judicial. Quiroga era militante do Partido Comunista Chileno.

Hugo Sánchez Marmonti, Raúl Jofré González, Edwin Dimter Bianchi, Nelson Haase Mazzei, Ernesto Bethke Wulf, Juan Jara Quintana, Hernán Chacón Soto e Patricio Vásquez Donoso foram condenados a 15 anos e um dia de cadeia por autoria dos assassinatos e a três anos a mais adicionais pelo sequestro das duas vítimas. Já o oficial Rolando Melo Silva foi condenado a pena de prisão de cinco anos, um mês e dois dias por encobrir os assassinatos e os sequestros.

Investigação

Há nove anos, a Fórum publicou uma matéria, para registrar o início das apurações. Segundo a reportagem, agentes policiais e do Serviço Médico-Legal chileno exumaram os restos mortais de Jara. O procedimento, ordenado pelo juiz Juan Eduardo Fuentes, fazia parte de uma investigação que procurava esclarecer seu assassinato. Fuentes, responsável pela investigação do crime, pretendia, com isso, descobrir as causas da morte e identificar os tipos de armas usadas, distância, ângulo do disparo, entre outras informações.

Depois de sofrer espancamento e tortura, Víctor Jara tombou crivado de 44 balas em 15 de setembro de 1973. Sua morte ocorreu no Estádio Nacional de Santiago, que depois do golpe militar foi usado como centro de detenção e tortura. Os restos mortais do cantor, cujo assassinato se converteu em um dos símbolos contra a ditadura pinochetista (1973-1990), estão no Cemitério Geral de Santiago.