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23 de Abril de 2014, 16h26

Justiceiros voltam a agir, agora em Minas Gerais

Jovem suspeito de furto é amarrado de cueca a poste e açoitado com fios de energia elétrica. Para advogado, é necessário investigar origem do comportamento. “Tem vários programas sensacionalistas do final da tarde que incitam e fazem apologia a essa violência”

Jovem suspeito de furto é amarrado de cueca a poste e açoitado com fios de energia elétrica. Para advogado, é necessário investigar origem do comportamento. “Tem vários programas sensacionalistas do final da tarde que incitam e fazem apologia a essa violência”

Por Igor Carvalho

Na última quinta-feira (17), foi registrado, em Ipatinga, Minas Gerais, mais um caso envolvendo “justiceiros”. Um jovem, suspeito de furto, foi amarrado a um poste e açoitado com fios de energia elétrica por moradores da região.

Para o advogado Ariel De Castro Alves, fundador da Comissão Especial da Criança e Adolescente do Conselho Federal da OAB, os seguidos casos precisam ser punidos. “Estes fatos precisam ser coibidos, o poder público precisa prender essas pessoas que acham que estão fazendo justiça com as próprias mãos.”

De acordo com ele, há fatores que podem incentivas esse tipo de comportamento. “Tem vários programas sensacionalistas do final da tarde que incitam e fazem apologia a essa violência, é necessário que haja uma atuação do poder público no sentido de não permitir essa apologia”, aponta.

Em um vídeo reproduzido em uma emissora local, o rapaz é obrigado a gritar que nunca mais vai “roubar no morro”, enquanto é açoitado. Nenhum dos justiceiros foi identificado pela Polícia Militar, que chegou ao local após as agressões. Em depoimento, o jovem afirmou que não conseguiria reconhecer as pessoas que o lincharam e, mesmo que pudesse, “não diria.”

“Em muitas vezes, esses fatos contam com a conivência das autoridades, que nunca punem esses agressores. Mas a polícia e a Justiça precisam entender que isso só ocorre porque há um descrédito da população nessas instituições”, analisa Castro Alves, para quem a impunidade estimula os novos linchamentos.

O jovem, de 18 anos, foi levado ao hospital para receber cuidados médicos e foi liberado em seguida.

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Foto de capa: Jornal Diário do Aço