29 de janeiro de 2018, 22h17

Leandro Fortes: Brasil, 2018

Ao ceder à tentação golpista, a classe política brasileira deixou-se envolver por essas sucessivas erupções de tumores no tecido social, ao ponto de não mais sermos capaz de saber quando – e de que maneira – novos surtos ainda irão nos fazer penar.

Eu ainda me pego refletindo para entender quando foi exatamente essa inflexão em direção ao absurdo. E, hoje, mesmo diante da consolidada narrativa protofascista entre os pobres, pior, entre os jovens pobres, imposta pelos humores de uma classe média majoritariamente iletrada, não consigo dimensionar com exatidão o tamanho da nossa desgraça.

Simplesmente, ainda não consigo juntar todas as variáveis dessa equação.

Vejam bem, não é exatamente a imagem dessa filha de Roberto Jefferson, cercada de varões tirados de alguma pornochanchada dos anos 1970, que me surpreende. No fundo, há uma triste coerência entre o estilo da deputada e essa inserção midiática grotesca.

Minha angústia é não conseguir localizar o tempo exato em que, justamente no momento em que caminhávamos para ser uma grande nação, esses ratos contaminaram as instituições, a política, as mentes e os corações das pessoas comuns com sua narrativa de ódio, ignorância, vileza, egoísmo e covardia.