23 de janeiro de 2018, 20h49

Lula cai nos braços do povo: “Só vou parar de lutar quando morrer”

Ex-presidente afirmou que seja qual for o resultado do julgamento do TRF-4, ele continuará lutando pelo povo brasileiro.

Ex-presidente afirmou que seja qual for o resultado do julgamento do TRF-4, ele continuará lutando pelo povo brasileiro.

Da Redação

O momento mais aguardado do dia foi recebido com imensa vibração por quase 80 mil pessoas de todo o Brasil, que marcaram presença em Porto Alegre na tarde desta terça-feira (23): o discurso do ex-presidente Lula. Ele falou de sua expectativa em relação ao julgamento desta quarta-feira (24) e relembrou as conquistas do povo durante seus mandatos e os de Dilma Rousseff.

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“Não existe na história da humanidade um país que conseguiu se desenvolver comercialmente e tecnologicamente sem antes investir muito na educação. O problema desse país é que a elite trata o dinheiro da educação como gasto. Em 2018, vamos fazer uma medida provisória que determine que seja proibido falar em gasto quando se trata de educação”, disse.

E falou ainda sobre política externa: “Eu tive sonhos com vocês. Nós acabamos com a Alca e criamos o Mercosul. O Brasil se transformou em protagonista internacional”. Lula lembrou da criação do Ciência sem Fronteiras e afirmou que, seja qual for o resultado do julgamento do TRF-4, ele continuará lutando pelo povo brasileiro. “Só uma coisa vai me tirar das ruas desse país e será o dia que eu morrer. Até lá estarei lutando por uma sociedade mais justa”, destacou. “Qualquer que seja o resultado do julgamento, eu seguirei na luta pela dignidade do povo nesse país”, completou. Lula ainda disse: “Preciso que o povo participe para que a gente possa recuperar esse país. Para isso, a esquerda vai se reunir não entorno de um candidato, mas em torno de um projeto”.

O ex-presidente afirmou que “carrega a tranquilidade dos inocentes, daqueles que não cometeram nenhum crime. As pessoas têm que entender que não estou preocupado comigo. Estou preocupado com o povo brasileiro. Eles estão desmontando o Prouni, o Fies, as escolas técnicas”, criticou. “Eles inventaram uma doença chamada PT que provocava a ascensão dos mais pobres. As pessoas não queriam mais andar de ônibus, queriam andar de avião”, acrescentou, arrancando gritos e aplausos de milhares de pessoas presentes.

Lula comentou, ainda, o artigo publicado no The New York Times, que denuncia a parcialidade do juiz Sergio Moro e o risco à democracia brasileira caso Lula seja condenado. “Se tem uma coisa que não me conformo é o complexo de vira-lata, inclusive da imprensa brasileira. Uma imprensa que não tem compromisso com a verdade, que não tem respeito, que se protege escondendo as coisas”, criticou. “Leiam o New York Times de hoje que vocês vão ver coisas que a imprensa brasileira não tem coragem de publicar”, disse. “Eu duvido que os jornalistas que escrevem mentiras a meu respeito e que o William Bonner durmam todo dia com a consciência tranquila. Eles sabem que eles estão mentindo”, arrematou.

Fotos Ricardo Stuckert/Fotos Públicas