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15 de junho de 2018, 11h18

Lula dá entrevista exclusiva ao jornal cubano Granma direto da cadeia. Leia aqui

“Estou ciente de que a injustiça que está sendo cometida contra mim é também uma injustiça contra o povo brasileiro”, disse Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista exclusiva para o Granma, Órgão Oficial do Partido Comunista Cubano, direto da prisão onde se encontra, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Na conversa, publicada nesta quinta-feira (14), Lula é tratado como “o homem que em seu tempo como presidente do Brasil impulsionou leis e projetos sociais que permitiram sair da pobreza cerca de 30 milhões de brasileiros, enquanto é considerado preso político”. O jornal diz ainda que “em todas as sondagens ele aparece como o favorito por uma grande maioria para ganhar a eleição presidencial de 2018”. A...

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista exclusiva para o Granma, Órgão Oficial do Partido Comunista Cubano, direto da prisão onde se encontra, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Na conversa, publicada nesta quinta-feira (14), Lula é tratado como “o homem que em seu tempo como presidente do Brasil impulsionou leis e projetos sociais que permitiram sair da pobreza cerca de 30 milhões de brasileiros, enquanto é considerado preso político”.

O jornal diz ainda que “em todas as sondagens ele aparece como o favorito por uma grande maioria para ganhar a eleição presidencial de 2018”.

A entrevista, segundo o jornalista cubano Elson Concepción Pérez, é um valioso material que agrega valor aos leitores cubanos e aos de todo o mundo.

Leia abaixo a entrevista:

Granma – Como candidato à presidência do Brasil com o maior apoio popular, onde todas as pesquisas o indicam como favorito, como você classifica esta perseguição e prisão a que foi submetido?

Lula – É um processo político, uma prisão política. O processo contra mim não aponta um crime, nem há provas. Eles tiveram que desrespeitar a Constituição para me prender. O que está se tornando cada vez mais transparente para a sociedade brasileira e para o mundo é que eles querem me tirar das eleições de 2018. O golpe, em 2016, com a retirada de uma presidenta eleita, indica que eles não admitem que as pessoas votem em quem quiserem votar.

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Granma – A prisão tem sido, para muitos líderes presos pelo simples fato de lutar pelo povo, um lugar de reflexão e organização de ideias para continuar a luta. No seu caso, como você enfrenta esses primeiros dias, já que não consegue entrar em contato com as pessoas?

Lula – Estou lendo e pensando muito, é um momento de muita reflexão sobre o Brasil e principalmente sobre que tem acontecido nos últimos tempos. Estou em paz com a minha consciência e duvido que todos os que mentiram contra mim durmam com a tranquilidade com que durmo. Claro que eu gostaria de ter liberdade e estar fazendo o que fiz durante toda a minha vida: diálogo com as pessoas. Mas estou ciente de que a injustiça que está sendo cometida contra mim também é uma injustiça contra o povo brasileiro.

Granma – Quão importante é saber que em todos os estados brasileiros há milhares de compatriotas a favor de sua libertação?

Lula – A relação que tenho construído ao longo de décadas com o povo brasileiro, com os movimentos sociais, em uma relação de muita confiança é algo que eu aprecio, porque em toda a minha trajetória política sempre insisti em jamais trair essa confiança. E eu não trairia essa confiança por nenhum dinheiro, por um apartamento, por nada. Foi assim antes de ser presidente, durante a presidência e depois dela. Então, para mim, essa solidariedade é algo que me empolga e me encoraja a permanecer firme.

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Granma –  Como definir o conceito de democracia imposto pelas oligarquias com o objetivo de descartar os líderes de esquerda a ocuparem o poder?

Lula – A América Latina viveu nas últimas décadas seu momento mais forte de democracia e conquistas sociais. Mas recentemente, as elites da região estão tentando impor um modelo onde o jogo democrático só é válido quando eles ganham, o que, claro, não é democracia. Então, é uma tentativa de democracia sem um povo. Quando não sai do jeito que eles querem, eles mudam as regras do jogo para beneficiar a visão de uma pequena minoria. Isso é muito sério. E estamos vendo isso, não só na América Latina, mas em todo o mundo, um aumento da intolerância e perseguição política. Isso aconteceu no Brasil, na Argentina, no Equador e em outros países.

Granma – Que mensagem você envia para todos aqueles que, no Brasil e no mundo, são solidários com você e exigem sua libertação imediata?

Lula – Eu agradeço toda a solidariedade. É necessário estar em solidariedade com o povo brasileiro. O Desemprego aumenta, mais de um milhão de famílias voltaram a cozinhar com lenha por causa do aumento do preço do gás de cozinha, milhões que deixaram a miséria não estão mais comendo, e até mesmo a classe média perdeu emprego e renda. O Brasil estava em uma trajetória de décadas de progresso democrático, de participação política e junto com os avanços sociais, que se aceleraram com os governos do PT, que venceram quatro eleições consecutivas. Eles não atacaram apenas o PT. Eles não me prenderam apenas para prejudicar Lula. Eles o fizeram contra um modelo de desenvolvimento nacional e inclusão social. O golpe foi feito para eliminar os direitos dos trabalhadores e aposentados, conquistados nos últimos 60 anos. E as pessoas estão percebendo isso. E vamos precisar de muita organização para voltar a ter um governo popular, com soberania, inclusão social e desenvolvimento econômico no Brasil ”.

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Ao final, o jornal avisa que Lula pediu para agradecer duas mensagens especiais:

“Aproveito esta oportunidade para agradecer as saudações de solidariedade entre pares Raul Castro e Miguel Diaz-Canel, que foram transmitidos a mim por Frei Betto,” o mesmo amigo que nos fez chegar as respostas a esta entrevista.

 

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