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13 de maio de 2011, 21h56

Lula e o encontro com os catadores

Lula e os catadores no Instituto Cidadania Não foi só com os executivos da Ambev que Lula se reuniu nesta semana. Na quarta-feira, 11, o ex-presidente recebeu cinco catadores no Instituto Cidadania, na capital paulista. Estiveram presentes lideranças do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). “Fizemos um balanço de todas as ações nos oito anos de governo Lula”, diz Severino Lima Junior, que participou do encontro. Morador de Natal (RN), Severino trabalhava num lixão da cidade. “Agradecemos as ações que foram feitas pelos catadores, tão marginalizados”, afirma. O ex-presidente Lula se comprometeu a participar da Expocatadores 2011, que...

Lula e os catadores no Instituto Cidadania

Não foi só com os executivos da Ambev que Lula se reuniu nesta semana. Na quarta-feira, 11, o ex-presidente recebeu cinco catadores no Instituto Cidadania, na capital paulista. Estiveram presentes lideranças do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). “Fizemos um balanço de todas as ações nos oito anos de governo Lula”, diz Severino Lima Junior, que participou do encontro. Morador de Natal (RN), Severino trabalhava num lixão da cidade. “Agradecemos as ações que foram feitas pelos catadores, tão marginalizados”, afirma.

O ex-presidente Lula se comprometeu a participar da Expocatadores 2011, que será realizada nos dias 9, 10 e 11 de novembro. Os representantes também pretendem convidar a presidente Dilma para o evento, assim como para o Encontro de Mulheres Catadoras, que vai acontecer ente 7 e 9 de junho em Curitiba (PR).

A Expocatadores deste ano será especial para o MNCR, pois o movimento completará 10 anos. Segundo Severino, diversas ações fizeram com que a categoria avançasse muito em qualidade de vida e autoestima. “Houve o reconhecimento profissional, o fortalecimento das cooperativas, o acesso a políticas públicas”, afirma. “Nesses oito anos conseguimos capacitar mais de 50 mil catadores. Queremos dobrar esse número.”

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Hoje o movimento estima que existam entre 800 mil e 1 milhão catadores de material reciclável. Apenas de 5 a 10% estão organizados em cooperativas e associações. Os demais trabalham em lixões e nas ruas.

O grande desafio, diz Severino, é que esses catadores saiam das mãos de atravessadores. “Às vezes, eles trabalham por servidão, por cachaça.” Ele também esteve com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no início do mês, e uma das demandas apresentadas é fazer um censo para saber quantos realmente estão nas ruas e lixões.

Estudo do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), associação de empresas para fomentar a reciclagem, mostra que 40% de todo o lixo urbano gerado no país é despejado em lixões a céu aberto. Outro dado do estudo é que apenas 8% dos municípios brasileiros dispõem de programas de coleta seletiva. Grande parte do que é reciclado hoje passa pelas mãos dos catadores.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), sancionada em agosto de 2010, incentiva os municípios a implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas. Os municípios que assim fizerem terão prioridade no acesso aos recursos do governo federal. A lei, que tramitou por 20 anos no Congresso, é considerada uma vitória pelos catadores. Assim como o Programa Pró-Catador, estabelecido pelo Decreto 7.405 na regulamentação da lei, em dezembro de 2010.

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A luta dos representantes do movimento é que os catadores se organizem melhorando a qualidade de vida. Com tristeza, Severino destaca os dois assassinatos de carroceiros no centro de São Paulo nos últimos dias. “Pedimos ajuda a Lula, para que os casos não fiquem impunes, que haja investigação.”

Leia matéria do jornalista André Rossi publicada na Fórum 95 sobre os catadores.

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