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20 de julho de 2014, 15h46

Mãe de ativista denuncia mais violações da polícia no Rio: “quatro horas refém”

“Colocaram fuzil, pistola em cima de mim. E eu estava sozinha o tempo todo, dizendo que meu filho não estava lá” Da Rede Brasil Atual Jandira Mendes fala com coragem. As palavras saem firmes, altas. E o aumento do tom de voz não é sem motivo. Ela é mãe de um dos 19 ativistas presos […]

“Colocaram fuzil, pistola em cima de mim. E eu estava sozinha o tempo todo, dizendo que meu filho não estava lá”

Da Rede Brasil Atual

Jandira Mendes fala com coragem. As palavras saem firmes, altas. E o aumento do tom de voz não é sem motivo. Ela é mãe de um dos 19 ativistas presos no Rio de Janeiro em 12 de julho, véspera da final da Copa do Mundo de futebol, pela Operação Firewall, e narrou, na quinta-feira (17), em audiência pública na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a violenta invasão policial que sofreu em sua residência, que durou quatro horas. “Fiquei quatro horas refém”, afirma.

Na manhã do dia 11 de julho, um grupo com quatro viaturas da Polícia Civil parou no bairro do Méier. Procuravam o filho de Jandira, Igor Pereira D’Icarahy, com fotos do rapaz em mãos. Quando chegaram ao apartamento de Jandira, arrombaram a porta e reviraram o que puderam. Foram apreendidos somente jornais e uma máscara de gás.

Mesmo após a constatação dos policiais de que Igor não estava no imóvel, a mãe foi torturada psicologicamente. “Colocaram fuzil, pistola em cima de mim. E eu estava sozinha o tempo todo, dizendo que meu filho não estava lá. Mesmo assim, reviraram tudo, mexeram em tudo”, revela.

O jovem de 26 anos, estudante de filosofia, foi encontrado na casa da namorada, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, professora na Uerj. Os dois foram presos e acusados de formação de quadrilha e levados para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, ainda na madrugada do dia 12 de julho. Depois de seis dias, o casal teve a ordem de liberdade decretada nesta sexta-feira (18), após a emissão de habeas corpus pelo desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do estado, que considerou não haver razões para manter na prisão os cinco manifestantes ainda encarcerados (os outros 12 foram libertados nesta quinta-feira). A medida inclui, ainda, Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, Tiago Teixeira Neves da Rocha e Eduarda Oliveira Castro de Souza.

Todos deveriam ser liberados até o final do dia de ontem, sábado (19), mas três deles, inclusive Igor, além de Camila e Sininho, tiveram novo pedido de prisão decretado no final da noite desta sexta, já que o juiz da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, recebeu denúncia do Ministério Público no Rio de Janeiro (MP-RJ) e decretou a prisão preventiva de 23 ativistas sob acusação de formação de quadrilha armada. Os novos mandados de prisão já foram expedidos. Dessa forma, somente Eduarda Oliveira Castro de Souza e Tiago Teixeira Neves devem se beneficiar do habeas corpus.

A Operação Firewall se iniciou para cumprir 26 mandados de prisão expedidos exatamente pelo juiz Flávio Itabaiana, na semana passada, e dois de busca e apreensão emitidos pela Vara da Infância e da Juventude. Tudo para impedir protestos no dia da decisão da Copa, disputada entre as seleções de Alemanha e Argentina, no estádio do Maracanã, dia 13. Abusos diversos foram cometidos.

No vídeo abaixo, Jandira Mendes reforça a demonstração de coragem ao denunciar as violações que sofreu. Além disso, diz, com orgulho: “Eu sou mãe de um ativista. Legal, honesto. Então, eu tenho que ficar com a cabeça em pé.”

Foto de capa: Reprodução