09 de novembro de 2018, 17h35

Mães de Maio denunciam violência do Estado à Comissão da OEA

"Ser pobre não é crime. Eles estão querendo criminalizar a pobreza matando nossos filhos", afirmou aos membros da Comissão a fundadora do movimento, Débora Maria Silva

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Por RBA

 

São Paulo – A vice-presidenta da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Esmeralda Arosemena, se reuniu nessa quinta-feira (8) com representantes do coletivo Mães de Maio. A comitiva ouviu as denúncias referentes aos “crimes de maio”, como ficou conhecida a chacina que tirou a vida de mais de 500 pessoas em decorrência dos conflitos de agentes policiais com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) à época. O encontro ocorreu na sede da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, no centro da capital paulista.

Na ocasião, a coordenadora do movimento, Débora Maria Silva, entregou à Comissão que integra a Organização dos Estados Americanos (OEA) uma cópia da condenação do Estado à indenização por danos morais, em sentença confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da morte de seu filho Edson Rogério da Silva. Ela cobrou a punição dos responsáveis pelas centenas de assassinatos.

“Essas mães têm que se levantar para dizer que não é natural o Estado achar que é dono da vida dos nossos filhos, porque ser pobre não é crime. Eles estão querendo criminalizar a pobreza matando nossos filhos. Eu quero que essa Comissão diga para esse país que as mães têm legitimidade de lutar e não será um governo fascista que fará a gente parar de lutar”, afirmou Débora, de acordo com a repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual.

À delegação, a pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Raiane Patrícia Severino Assumpção, ao apresentar os resultados do relatório “Violência de Estado no Brasil: uma análise dos Crimes de Maio de 2006”, ressaltou que, apesar dos 12 anos do episódio, o assassinato de jovens negros nas periferias continua sendo uma realidade. Familiares de vítimas do Massacre do Carandiru, que também estavam presentes, relembraram as 111 mortes executadas pela Polícia Militar em 1992.

Diante dos relatos de violações, a vice-presidenta do CIDH destacou a importância da Justiça em garantir os direitos da população como reconhecimento à dignidade de todo o ser humano e defendeu que a luta por justiça não pode retroceder.