07 de novembro de 2018, 13h35

Mais de 450 famílias de produtores rurais sofrem ameaça de despejo em Campos Gerais, sul de Minas

As famílias moram há 20 anos na área da usina Ariadnópolis, que encerrou suas atividades em 1996, após decretar falência. As dívidas trabalhistas da empresa ultrapassam R$ 300 milhões. Em setembro de 2015, o governo de Fernando Pimentel (PT) publicou o decreto 356, que desapropriava 3.195 hectares das terras.

Foto: Douglas Mansur

Uma audiência no Fórum da Comarca de Campos Gerais (MG) marcada para esta quarta-feira pode decidir o futuro das 450 famílias sem-terra que vivem no acampamento Quilombo Campo Grande. Uma ação que ameaça retirar todas as famílias do local será julgada. Ações de solidariedade aos agricultores promovem hoje um “tuitaço” com a hashtag #SalveQuilombo.

As famílias moram na área de aproximadamente 4 mil hectares da usina Ariadnópolis, da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (Capia), que encerrou suas atividades em 1996, após decretar falência. As dívidas trabalhistas da empresa ultrapassam R$ 300 milhões.

Ocupando o espaço há 20 anos, o movimento já sofreu cinco despejos. Em setembro de 2015, o governo de Fernando Pimentel (PT) publicou o decreto 356, que desapropriava 3.195 hectares das terras. Porém, acionistas da empresa, apoiados pela bancada ruralista e latifundiários da região, não aceitaram o acordo e levaram o caso à Justiça contra o governo de Minas Gerais, pedindo anulação do decreto, que havia sido validado por dois julgamentos.

Por meio de uma operação jurídica, os empresários retomaram uma liminar de despejo de 2012 referente à falência da usina, que, na época, foi negada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não extinta. Nessa última terça-feira (6), um dia antes do julgamento, o acampamento passou pela vistoria de um juiz.

“Está todo mundo muito apreensivo, não sabemos o que pode acontecer. Nós estamos vivendo um momento de golpe, mas estamos preparados. Na verdade, nós estamos otimistas, porque são 20 anos de luta, não são 20 dias. E, até o mês passado, nós tínhamos o decreto da terra. De 30 dias para cá que não temos mais”, contou Débora Vieira Borges, dirigente estadual do MST pelo sul mineiro, ao Brasil de Fato.

Uma das maiores riquezas do acampamento é a produção de forma agroecológica, em especial do Guaií, café tipo arábica. Ele vem sendo comercializado para escolas, entidades públicas e através de feiras, lojas da reforma agrária, tudo com um preço justo para que o consumidor possa ter acesso a produtos de qualidade e sem veneno. Só em 2017 foram vendidos mais de 120 mil pacotes do café pela Cooperativa Camponesa.

Com informações do Brasil de Fato e do MST