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25 de abril de 2019, 09h30

Major Olímpio dá cargo de R$ 11 mil para ex-PM condenado por tortura

O senador afirma que o cargo é também uma maneira de compensar uma "grande injustiça" que, para ele, foi feita contra o ex-PM

Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
O senador Major Olímpio (PSL-SP) nomeou como assessor parlamentar Carlos Alberto Ires de Jesus, um ex-soldado que foi condenado, em 2002, por tortura, cumpriu pena e acabou expulso da corporação. Major Olímpio, que fez carreira na Polícia Militar paulista e é aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirma que o cargo é também uma maneira de compensar uma “grande injustiça” que, para ele, foi feita contra o ex-PM. Como assessor parlamentar júnior do gabinete de Major Olímpio Jesus ganha agora salário bruto de R$ 11.471,87 e trabalha no escritório político de São Paulo —segundo o parlamentar, fazendo a interlocução com eleitores. Entre 2008 e...

O senador Major Olímpio (PSL-SP) nomeou como assessor parlamentar Carlos Alberto Ires de Jesus, um ex-soldado que foi condenado, em 2002, por tortura, cumpriu pena e acabou expulso da corporação.

Major Olímpio, que fez carreira na Polícia Militar paulista e é aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirma que o cargo é também uma maneira de compensar uma “grande injustiça” que, para ele, foi feita contra o ex-PM.

Como assessor parlamentar júnior do gabinete de Major Olímpio Jesus ganha agora salário bruto de R$ 11.471,87 e trabalha no escritório político de São Paulo —segundo o parlamentar, fazendo a interlocução com eleitores.

Entre 2008 e 2012, ele também trabalhou como segurança parlamentar de Olímpio, que tinha mandato como deputado estadual.

O ex-soldado foi condenado em 2002, após ser acusado de ter torturado duas pessoas em uma base comunitária da PM no Jardim Ranieri, zona sul da capital paulista. Sua pena foi de oito anos e cinco meses de prisão. Ele perdeu o cargo devido ao crime de tortura qualificada e lesões corporais gravíssimas.

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Jesus e o tenente da PM Paulo Sérgio dos Santos, condenado a nove anos e oito meses de reclusão, foram acusados de torturar o padeiro Marcelo Costa Pereira, que perdeu a mobilidade do braço esquerdo, e André Ricardo Bispo.

Os então PMs buscavam das vítimas a confissão de que seriam os responsáveis pela morte de um policial militar. Em vez do distrito policial, os dois jovens foram levados para o prédio da base comunitária da PM, onde acabaram sendo torturados por horas.

As vítimas receberam socos e pontapés e foram asfixiadas com sacos plásticos de lixo sobre suas cabeças. Marcelo teve ligados aos anéis que usava dois polos de fios elétricos. Os choques geraram queimaduras e fizeram com que a vítima perdesse o dedo anular da mão esquerda.

Com informações da Folha

 

 

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