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02 de agosto de 2007, 12h39

Manifesto pede esclarecimento sobre mortes no Complexo Alemão

Texto defende relatório independetente sobre as 19 mortes na mega-operação de 27 de junho

Texto defende relatório independetente sobre as 19 mortes na mega-operação de 27 de junho Por Redação Juristas, personalidades, movimentos e organizações sociais assinam o manifesto de apoio à Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) do estado do Rio de Janeiro, que solicitou um relatório independente sobre as 19 mortes ocorridas durante a mega-operação policial no Complexo do Alemão no dia 27 de junho.  “Pela apuração das violações de direitos, no Complexo do Alemão” repudia a política criminal belicista, adotada pelo governo e o tratamento penal da miséria. Além de cobrar a apuração das 19 mortes....

Texto defende relatório independetente sobre as 19 mortes na mega-operação de 27 de junho

Por Redação

Juristas, personalidades, movimentos e organizações sociais assinam o manifesto de apoio à Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) do estado do Rio de Janeiro, que solicitou um relatório independente sobre as 19 mortes ocorridas durante a mega-operação policial no Complexo do Alemão no dia 27 de junho. 

“Pela apuração das violações de direitos, no Complexo do Alemão” repudia a política criminal belicista, adotada pelo governo e o tratamento penal da miséria. Além de cobrar a apuração das 19 mortes.

O texto cita ainda a exoneração de João Tancredo, ex-presidente da Comissão de Direitos humanos da seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ) e solicita a averiguação da “possibilidade de deliberada destruição, por parte de agentes públicos, de provas dos crimes cometidos no complexo de favelas do Alemão”

Inocentes Em lista divulgada no dia 2 de julho, a Polícia Civil do Rio de Janeiro atesta que 8 dos 19 mortos da megaoperação do Complexo de Favelas do Alemão não tinham antecedentes criminais, reforçando suspeitas que inocentes teriam sido mortos.

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Sob este contexto a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ solicitou um relatório independente sobre as 19 mortes. O relatório feito com base nos laudos do Instituto Médico Legal a partir da análise de um perito independente, aponta que, pelo ângulo dos disparos, de cima para baixo, algumas vítimas estavam sentadas ou ajoelhadas.

Ainda de acordo com o documento, as vítimas apresentam “inúmeros ferimentos” nos braços, resultantes de uma “autodefesa”, além de tiros na nuca e pelas costas à curta distância. A entidade cobra apuração das mortes.

Apesar das declarações públicas de autoridades cariocas de que os agentes estariam sendo preparados para realizar a operação com o risco mínimo para a população local, apenas na operação do dia 27 de junho, 19 pessoas foram mortas e 60 ficaram feridas, a maioria vítima de bala perdida. Desde o dia 2 de maio de 2007, já se somam 40 mortes e 80 feridos durante a série de operações policiais que vêm sendo realizadas no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. 

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A operação, executada pelas Polícias Militar e Civil do Rio em conjunto com a Força Nacional de Segurança, contou com a participação de 1.350 agentes policiais, a utilização de 1.080 fuzis, 180 mil balas e teve duração de cerca de oito horas. Após o término da ação, o Estado divulgou a apreensão de 14 armas, 50 explosivos e munição de 2.000 balas, supostamente em poder de traficantes, relata o documento.

O manifesto já recebeu mais de 170 assinaturas de apoio. Entre os assinantes estão respaldados profissionais e instituições brasileiras como o teólogo Leonardo Boff; o presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB, Fábio Comparato; o magistrado aposentado e escritor, João Baptista Herkenhoff; além de diversas organizações sociais.

Leia o manifesto

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