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07 de fevereiro de 2019, 08h57

Manual aprovado pelo MEC causa revolta ao separar alunos entre capitães do mato e escravos

O livro orienta o professor a demarcar com giz um espaço na quadra correspondente ao quilombo, e outro, à senzala

Foto: Reprodução
O guia de atividades “Manual do professor para a educação física — 3º ao 5º anos” para aulas de educação física, aprovado em 2018 pelo Ministério da Educação (MEC) e distribuído para escolas municipais do Rio, apresenta uma brincadeira que sugere aos docentes dividir alunos de 8 a 10 anos entre capitães do mato e escravos. O livro, que foi publicado em 2017, orienta o professor, na sua página 183, a demarcar com giz um espaço na quadra correspondente ao quilombo, e outro, à senzala. Nessa espécie de pega-pega, os alunos recebem um sinal e, a partir dele, os escravos...

O guia de atividades “Manual do professor para a educação física — 3º ao 5º anos” para aulas de educação física, aprovado em 2018 pelo Ministério da Educação (MEC) e distribuído para escolas municipais do Rio, apresenta uma brincadeira que sugere aos docentes dividir alunos de 8 a 10 anos entre capitães do mato e escravos.

O livro, que foi publicado em 2017, orienta o professor, na sua página 183, a demarcar com giz um espaço na quadra correspondente ao quilombo, e outro, à senzala. Nessa espécie de pega-pega, os alunos recebem um sinal e, a partir dele, os escravos devem fugir para o quilombo. Uma vez capturados, são conduzidos à senzala pelos capitães do mato. Em seguida, trocam-se as funções.

O item foi alvo de críticas nas redes sociais por encenar a escravidão como uma disputa, subestimando o sofrimento do povo negro durante o período.

Segundo o historiador da UFBA Rômulo Souza, o conteúdo que está antes da indicação da atividade é pertinente, mas perde o sentido com a brincadeira proposta.

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“As informações que falam sobre capitães do mato e feitores são condizentes com a faixa etária e corretos. Mas elas estão inseridas em uma atividade que deturpa a própria informação proposta e reafirma uma visão que não pode ser romantizada. Nessa fase da idade, na lógica do polícia e ladrão, facilmente a criança pode ser remetida ao binarismo capitães do mato e escravos”, afirma.

O Ministério da Educação e a Secretaria Municipal de Educação do Rio não responderam aos questionamentos da reportagem.

Mais informações em O Globo

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