08 de agosto de 2018, 14h37

Manuela e Haddad… a vez das pautas progressistas?

No momento em que vivemos, de pleno recrudescimento de valores morais ultraconservadores, as declarações de Haddad e Manuela não são pouca coisa

Manuela D'Ávila e Haddad durante coletiva de imprensa (Foto: Ricardo Stuckert)

Aconteceu ontem (7) a primeira coletiva com Fernando Haddad e Manuela D’Ávila (PCdoB) enquanto representantes da chapa presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem na sua cabeça de chapa o ex-presidente Lula. Mas, pelos sinais emitidos pelas esferas do judiciário, esta será a chapa presidencial do PT.

Manuela e Haddad explicaram como vai funcionar daqui para a frente o papel deles até a decisão final sobre a liberação ou não de Lula para ser candidato. Se o ex-presidente for impedido, de fato, o ex-prefeito assume a cabeça da chapa e Manuela a vice. Mas, para além desta questão burocrática, outros momentos merecem o destaque desta coletiva.

Logo no início da coletiva um jornalista perguntou à Manuela sobre o meme onde a cantora Pabllo Vittar aparecia como a vice de fato do Lula. A comunista riu e disse que conversou com a cantora e esta, de acordo com a deputada, declarou que quer se apresentar na festa da posse. Logo na sequência, Haddad aproveitou a pergunta para declarar que não há “problema nenhum” eles serem associados a Vittar e de que a chapa dele tem lado: dos quilombolas, das LGBT, das mulheres e dos movimentos sociais.

No momento em que vivemos, de pleno recrudescimento de valões morais ultraconservadores e que tem como alvo principal as LGBT, mulheres, indígenas e negros, as duas declarações não são pouca coisa e demarcam um campo que deve ser alvo predileto dos candidatos conservadores e que é, desde sempre, as parcelas da sociedade que o candidato do PSL, Jari Bolsonaro, faz questão de atacar sempre. Cabe lembrar que em comício de pré-campanha Bolsonaro declarou que as “minorias terão de se ajoelhar para as maiorias”.

Outra questão importante diz respeito aos meios de comunicação. Ao responder sobre isso, Haddad declarou que irão fazer cumprir a Constituição que proíbe propriedade cruzada e políticos no comando de rádios, TV e meios impressos. Esta pauta permeou todas as gestões petistas e não avançou. Tal medida se faz presente no programa de governo, mas, como diz o velho ditado: no papel cabe tudo. Caso a chapa seja vitoriosa, muita pressão terá de ser feita.

De volta para a questão LGBT. Durante a sua gestão frente à prefeitura da cidade de São Paulo, uma das vitrines da gestão Haddad foi o programa Transcidadania, política inter-secretarial que envolveu educação, trabalho, renda e saúde para as pessoas travesti e transexuais. Um marco, pois, foi uma medida do executivo municipal e agora consta no programa de governo do PT à presidência da República.

A comunicação e os Direitos humanos não devem estar presentes apenas em coletiva e programa de governo. Ainda que no âmbito do legislativo e executivo retrocedemos 20 anos, nas ruas e nas redes as questões identitárias – obviamente entendida no sentido da construção do Comum e não de indivíduos -, sobre sexualidades, feministas e das comunicações tem pautado os debates e atos. Manuela e Haddad possuem histórica ligação com estas pautas e se quiserem demarcar terreno e diferença com os candidatos do PSL e MDB, será de bom tom que tragam estas questões para os seus programas televisivos e digitais na esfera da campanha nacional.