16 de maio de 2018, 12h19

Manuela responde a Pedro Bial: “Nós não silenciamos. Lutamos por justiça em voz alta há décadas”

Pré-candidata à presidência rebate declarações do jornalista: em seu programa, ele disse que o PCdoB preferiu fingir que a guerrilha do Araguaia não aconteceu

Foto: Mídia NINJA

Manuela D’Ávila, pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB, divulgou uma carta aberta a Pedro Bial, da Rede Globo. Durante seu programa na última terça-feira (15), o jornalista, em conversa sobre a guerrilha do Araguaia, disse que “o PCdoB preferiu fingir que aquilo não aconteceu”. A deputada estadual se disse perplexa: “Bial, nós do PCdoB não silenciamos e nem fingimos que não aconteceu. Lutamos por justiça em voz alta há décadas e por gerações”.

Acompanhe a íntegra da mensagem de Manuela a Bial:

Carta aberta ao jornalista Pedro Bial:

Oi Bial, tudo bem?

Em 1 de janeiro de 2005 tomei posse como vereadora de Porto Alegre.

Terminei o meu discurso de posse da mesma forma que já havia terminado outros tantos, afirmando que “tarda, tarda, tarda, mas não falha. Aqui está presente a juventude do Araguaia”.
Essa palavra de ordem me acompanha desde 1999, ano em que me filiei à União da Juventude Socialista e, mais tarde, ao Partido Comunista do Brasil.

Não por acaso, em 9 de dezembro, minha primeira agenda enquanto pré-candidata à presidência da República aconteceu justo em Marabá, no Sul do Pará, região marcada pela Guerrilha e pelo heroísmo dos camponeses e dos militantes comunistas.

Ontem lhe ouvi dizer que o PCdoB “preferiu fingir que aquilo não aconteceu”. Fiquei perplexa.

É verdade que a imprensa não tratou com a importância devida nossas caravanas à região do Araguaia em 2004 e 2014, quando levamos dezenas de jovens para conhecer a região e sua história. Também não deram a dimensão adequada às outivas dos torturados pela ditadura, na Comissão da Verdade, também em 2014.

Você viu o filme de Ronaldo Duque chamado “Araguaia, a conspiração do silêncio”? Foi lançado uma década antes, em 2004, num congresso da UJS.
Há também um documentário chamado “Camponeses do Araguaia – a guerrilha vista por dentro”. Foi produzido pela Fundação Mauricio Grabois a partir de depoimentos de moradores da região. É de 2010 e foi dirigido por Vandré Fernandes.

São partes da nossa luta justamente para que a história não seja esquecida.

A luta dos nossos camaradas no Araguaia está tatuada em nossos pensamentos.

A história se mostra na construção do nosso presente.

A fundação de nosso partido chama-se Mauricio Grabois, em homenagem ao principal comandante da Guerrilha, por exemplo.

No Rio Grande do Sul, a União Estadual de Estudantes (UEE-livre) é conhecida como JUCA, em homenagem à João Carlos Hass Sobrinho, estudante de medicina executado na guerrilha.

João Amazonas, fundador e presidente do partido, ao morrer, em 2002, teve suas cinzas jogadas no Araguaia. O pedido foi registrado em bilhete, em seus últimos momentos de vida. (a imagem é do bilhete escrito por ele).

Bial, nós do PCdoB não silenciamos e nem fingimos que não aconteceu.

Lutamos por justiça em voz alta há décadas e por gerações.

Ficamos felizes que você tenha finalmente escutado.

Afinal, nós sempre acreditamos que tarda, mas não falha.

Beijo,
Manuela

João Amazonas, fundador do PCdoB, ao morrer, teve suas cinzas jogadas no Araguaia; o pedido foi registrado em bilhete, em seus últimos momentos de vida – Foto: Reprodução/Facebook