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18 de março de 2016, 11h59

Semer: “Podemos escolher entrar num Estado policial. O que não podemos escolher é sair dele”

De acordo com o juiz e escritor, diferentemente de 1964, agora “esse caminho não está sendo escrito por fuzis, mas com canetas”, relembrando a diferença entre o pensamento de algumas pessoas à época em que lutavam pela redemocratização do país e as de agora. “Nas ‘Diretas já’ a gente usava camiseta amarela para confrontar os militares, não para tirar selfie com eles” Por Ivan Longo Para o juiz de Direito e escritor Marcelo Semer, “o Estado policial está desalojando o Estado Democrático de Direito”. Ao participar do ato Juristas Pela Democracia, realizado na noite desta quinta-feira (17) na Faculdade de Direito do Largo São...

De acordo com o juiz e escritor, diferentemente de 1964, agora “esse caminho não está sendo escrito por fuzis, mas com canetas”, relembrando a diferença entre o pensamento de algumas pessoas à época em que lutavam pela redemocratização do país e as de agora. “Nas ‘Diretas já’ a gente usava camiseta amarela para confrontar os militares, não para tirar selfie com eles”

Por Ivan Longo

Para o juiz de Direito e escritor Marcelo Semer, “o Estado policial está desalojando o Estado Democrático de Direito”. Ao participar do ato Juristas Pela Democracia, realizado na noite desta quinta-feira (17) na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, Semer criticou as violações à Constituição que o juiz Sérgio Moro e outras instâncias do Judiciário vêm cometendo ao, por exemplo, conduzir o ex-presidente Lula coercitivamente para prestar depoimento ou ainda torná-lo alvo de um pedido de prisão preventiva sem qualquer embasamento para isso.

Para ele, a população não pode apoiar esse tipo de supressão de direitos pois isso, com o tempo, não vai atingir apenas autoridades ou empresários, mas vai “cair de novo com mais força naquela população que superlota cadeias, que é a população negra, jovem e periférica”.

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De acordo com o juiz, estamos, sim, caminhando para um “Estado policial” uma vez que, diferentemente de 1964, agora “esse caminho não está sendo escrito por fuzis, mas com canetas”.

“Nós podemos até escolher se queremos entrar num Estado policial. O que não podemos escolher é sair dele”, analisou, relembrando a diferença entre o pensamento das pessoas à época em que lutavam pela redemocratização do país e as de agora. “Nas ‘Diretas já’ a gente usava camiseta amarela para confrontar os militares, não para tirar selfie com eles”, disse, arrancando aplausos e inflamando a plateia que lotou o Salão Nobre da faculdade de Direito mais renomada do país.

Aton Fon

Pouco antes do início do ato, o advogado Aton Fon Filho, que estava presente no Salão Nobre, conversou com Fórum e apontou os mesmos riscos que Semer levantou. Preso e torturado na ditadura militar por sua atuação na Aliança Nacional Libertadora (ALN), Fon destacou que as ações de Sérgio Moro, do Ministério Público e de parte da imprensa estão mais ligadas a uma “situação política” do que a uma “situação de direito” e que são as “armas” que esses grupos detêm hoje para fazer prevalecer seus interesses individuais e ideológicos.

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“Assim como em 1964, quando os órgãos públicos e militares usaram as armas que detinham para cumprir sua função, visando conquistar o poder para si próprios, agora também um determinado setor dos servidores públicos, a magistratura e o Ministério Público, estão utilizando os poderes que são destinados a defender a população para realizar seus interesses ideológicos próprios. Então, eu diria que nada do que aconteceu na Lava Jato fugiu ao interesse da ‘república de Curitiba’ e do Ministério Público”, analisou.

Foto: Empório do Direito

 

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