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22 de Março de 2014, 19h33

Marcha da Família com Deus reúne cerca de 300 pessoas no centro de São Paulo

Manifestantes pediram intervenção militar no Brasil para barrar o avanço do comunismo perpetrado pelo governo federal

Manifestantes pediram intervenção militar no Brasil para barrar o avanço do comunismo perpetrado pelo Governo Federal

Por Marcelo Hailer

Cerca de trezentas pessoas se reuniram hoje (22) a tarde no centro de São Paulo, mais especificamente na Praça da República, para realizar uma nova versão da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Com um público bem misto, que ia de jovens da igreja católica a neonazistas, o que se viu foi uma manifestação que pedia a intervenção militar no Brasil e o fim do comunismo.

Manifestantes defenderam intervenção militar no governo federal

Manifestantes defenderam intervenção militar no governo federal

Dois senhores seguravam uma faixa que pedia “Intervenção Militar JÁ!”, a reportagem se aproximou para conversar com um deles e perguntamos por que eles defendiam a volta dos militares no poder. “De que meio você é?”, “da Revista Fórum”, “então vá fazer as suas perguntas pro Lula, comunista!”, disse em tom hostil o “entrevistado”.

A Igreja Católica estava representada por dois jovens que vestiam uma espécie de vestido negro, que, conforme explicaram, tal vestimenta significa a vida exclusiva para Deus. Saulo, um dos meninos, conversou com a reportagem. “Estamos aqui na Marcha para defender a família, contra o socialismo e contra o governo do PT, que já está há 12 anos no poder, está na hora de mudar”, disse Saulo. Questionado sobre uma intervenção militar no governo, o jovem da Igreja Católica se disse favorável. “Seria uma das maneiras de barrar o socialismo, mas não a única”, disse.

Manifestantes exaltaram a igreja e a família, os quais, segundo eles, estão ameaçados pelo comunismo

Manifestantes exaltaram a igreja e a família, os quais, segundo eles, estão ameaçados pelo comunismo

Ligia, uma senhora aposentada e moradora do centro de São Paulo, disse à reportagem que estava lá por causa da violência. “Hoje eu não consigo mais sair de casa, está muito perigoso, é preciso fazer alguma coisa”, declarou. Ligia também comentou sobre intervenção militar e comunismo. “Eu não sou a favor de militares do poder, mas acho que é preciso que a gente construa uma oposição. Também não acho que o governo seja comunista, mas ele flerta com essa ideologia, é só você reparar os países que ele apoia, são todos comunistas”, criticou Ligia.

Confira como foi a Marcha Antifascista, convocada em resposta à Marcha da Família com Deus

A reportagem da Revista Fórum foi por mais de uma vez hostilizada e ameaçada. Em um dado momento um manifestante se aproximou e reclamou da camiseta vermelha do repórter. “Acho que é melhor você tomar cuidado, as pessoas aqui não gostam de gente com camisetas vermelhas, eles estão exaltados e podem te agredir”, avisou o manifestante. Porém, o ato como um todo era refratário a imprensa no geral, a qual eles acusam de ser “cúmplice com o governo comunista de Dilma Rousseff”.

Em vários momentos houve princípios de tumultos, pois, algumas pessoas indignadas com a realização da Marcha gritavam saudações pró-Dilma. Um homem com uma camiseta do PT teve que ser resgatado pela Polícia Militar e um grupo de anarquistas precisou ser retirado às pressas pela PM, pois o embate com neonazistas era iminente. Em outro momento dois homens começaram a bater boca, pois um deles pedia a volta da ditadura. “Você está maluco? Quer a tortura de volta? Saiba que você também vai ser preso se os militares voltarem pro poder”; “sai daqui seu comunista!”.

Também marcou presença na Marcha o Comando de Caça aos Corruptos (CCC), que estava com um trio elétrico onde pessoas fardadas protestavam contra o governo federal. Jurandir, que carregava uma faixa que pedia a intervenção das Forças Armadas conversou com a reportagem. “O comunismo está a passos largos no Brasil! A imprensa está censurada. Tanto é que uma deputada (Jandira Feghali) comunista entrou com uma ação para fechar o SBT, olha onde chegamos. Eu mandei uma mensagem pra ela: deputada se um dia eu te encontrar vou te arrebentar com a minha baioneta. É por isso que com essa gente comunista não tem diálogo”, disse Jurandir.

Quando a reportagem já se afastava do trio do CCC Jurandir gritou à reportagem e veio em nossa direção correndo, queria falar algo. “Olha, acho melhor você ir embora. Tem um povo que está muito incomodado com a sua camiseta. E esse povo (aponta para os neonazistas) não tem controle, se eles te pegarem, vão te quebrar inteiro”, alertou.

E com chamadas do tipo “1, 2, 3, 4, 5 mil queremos intervenção militar no Brasil” e “1,2,3 Dilma no xadrez”, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade encerrou com 3 detidos: um por ter agredido um homossexual e outros dois por que estavam tentando pichar bandeiras, de acordo com a Polícia Militar.

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