Conceição Oliveira

Blog da Maria Frô

Ativismo é por aqui

27 de setembro de 2018, 15h25

A arte do #elenão vencendo a barbárie

Nestas eleições, ainda não havia escrito qualquer post sobre o Coiso. Talvez seja porque demoro para processar tempos irracionais. Acho inexplicável como Bolsonazi consegue mobilizar o pior do ser humano e como, nesta campanha, esse pior emergiu, sem vergonha, sem filtros, sem limites. Sujeitos frustrados, incultos, inseguros, amedrontados de todas as classes sociais, todas as […]

Nestas eleições, ainda não havia escrito qualquer post sobre o Coiso.

Talvez seja porque demoro para processar tempos irracionais.

Acho inexplicável como Bolsonazi consegue mobilizar o pior do ser humano e como, nesta campanha, esse pior emergiu, sem vergonha, sem filtros, sem limites.

Sujeitos frustrados, incultos, inseguros, amedrontados de todas as classes sociais, todas as cores. Eles não conseguem lidar com a imensa complexidade do mundo contemporâneo e cedem ao apelo fácil do senso comum. Um senso comum que carece de qualquer conexão com a pesquisa científica, com dados sistematizados, com o acúmulo da produção intelectual da humanidade.

Durante as eleições sempre aparecem bolsonaros, geralmente eles tentam o Congresso Nacional ou a Assembleia Legislativa: são aqueles que prometem mais rota na rua, mais bandido morto, mais menores presos, mais cadeia e nunca escola, hospitais, lazer, direitos.

Durante 30 anos o Bolsonaro original ficou neste registro. Fez sua carreira e a de seus filhos (nepotismo é com ele) toda no legislativo. Nunca aprovou uma única lei que beneficiasse o Rio, ou os brasileiros no Congresso Nacional. Seu estado é o mais inseguro, o mais destruído, o que tem governadores presos por corrupção e candidaturas cassadas. Seu estado é o estado mínimo que ele prega sob intervenção militar e cada vez mais sangrento. Seu estado profissionais da saúde e da educação não recebem seus salários. Seu estado elege sempre os mesmos bolsonaros.

Mas o Bolsonaro que resolveu sair das sombras e disputar a presidência é obviamente mais danoso que pastor picareta que oferece o céu em troca de dízimo e venda de indulgências do século XXI. Porque sua religião é a exclusão: não cabem pretos, pobres, mulheres, indígenas, quilombolas, homossexuais. Não cabem direitos. Só a força, só a bala.

Tem bandido? “Dá arma pra todo mundo.”

Mulher quer direitos? “Senta o relho nesta feminista, cadela de sovaco cabeludo!”

Empregado quer direitos? “Escraviza esse preguiçoso e se reclamar bota no olho da rua”.

Índio quer terra? “Mata!”

Quilombola quer viver? “Destrua!”.

MST e reforma agrária? “Vagabundos, bala nela, metralha junto com os petralhas!”

Não consigo ir para Disney? “A culpa é do Nordestino, esse cabeça chata que acha que pode andar em aeroportos”.

Meu marido não me ama? “A culpa é destas vadias!”

Minha mulher me traiu? “A culpa é destas vadias!”

E poderíamos fazer uma lista imensa das justificativas fáceis dos cidadãos frustrados, desempregados, desesperançados com a crise econômica, com a insegurança, com a solidão, com a falta de amor que descobriu o cristo das trevas – Bolsonaro –  para lhes devolver aquele passado idealizado que nunca existiu.

Esses cidadãos, eleitores de Bozo, falam o tempo inteiro em Deus, mas não vivem absolutamente nenhum preceito do cristianismo humanista. Falam em Deus e odeiam o reconhecimento dos direitos humanos inalienáveis para o que seria a melhor criação de deus: a humanidade.

As redes sociais dos eleitores de Bozonazi são um show de horrores: “esquerdopata”, “comunista”, “mito”, “bandido bom é bandido morto”, “#foraPT”. Não há uma única análise minimamente consistente. Se você prova com fotos, vídeos, matérias de jornais, áudios de programa de rádio, enfim qualquer documento que comprove o fato, os eleitores do Coiso negam: “fake news, petralha esquerdopata, é melhor jair se acostumando, bolsonaro17“.

É princípio para ser eleitor de Bozonazi negar a realidade.

O fascismo europeu tinha um componente social. Mussolini fez reforma agrária, aterrou pântanos, construiu casas, estábulos para o camponês de todo o Lácio.

O fascismo tupiniquim de Bolsonaro é ultraneoliberal.  Bolsonaro votou até mesmo contra a PEC das domésticas! Para ele  mulheres negras, pobres, da periferia  não têm de ter direitos trabalhistas e devem se dar por felizes por terem um quartinho de empregada e a comida que sobrar. Em troca, elas não devem exigir limites na jornada de trabalho ou qualquer direito em carteira assinada.

Bolsonaro aprovou a antirreforma trabalhista tirando direitos duramente conquistados pelos trabalhadores.

Bolsonaro odeia carteira assinada, ele aprovou a Terceirização sem limites, o trabalho intermitente, a precarização das condições de vida e trabalho no Brasil.

Bolsonaro é contra a reforma agrária, contra qualquer direito.

Bolsonaro é um sujeito tão sem limites em sua misoginia que criou um projeto para que mulheres vítimas de violência sexual não tenham socorro!

Bolsonaro é a pulsão da morte. Para ele as tais “minorias” (leia-se a grande massa dos brasileiros alijados do poder e dos direitos – mulheres, negros, quilombolas, indígenas, população LGBTQ+) têm de ser CURVAR, têm de ajoelhar diante do opressor e agradecerem por existir.

Para o seu vice de chapa, o general Mourão, essas mesmas mulheres negras, pobres da periferia (mães e avós), só se relacionam com bandidos. De acordo com Mourão, as mulheres criam seus filhos sozinhas porque os pais ou “estão mortos ou presos”. Para o vice de Bolsonaro essas mulheres são apenas produtoras de moleques para o tráfico. São elas as responsáveis por “família desajustadas”. Quando o general tentou se corrigir, ele deixou ainda mais claro seu viés de ódio classista contra os pobres e as mulheres pobres: as mulheres ricas não produzem famílias desajustadas.

Márcia Tiburi tem razão. Não há como conversar com um fascista utilizando-se de argumentos, pautando-se em fatos, na racionalidade.

O fascista brasileiro perdeu sua capacidade de raciocinar. Talvez, por isso, seja tão poderosa a campanha do #EleNão. Iniciada por um grupo de mulheres contra Bolsonaro no Facebook, a comunidade já passa de 3 milhões de integrantes.

A campanha #EleNão reúne tudo que temos de melhor: nossa infância, nosso futuro, nossa arte, nossa poesia, nossa beleza, nossa diversidade, nossa força, nossa cultura, nossa inteligência, nossa sororidade, nossa capacidade de conviver com a diferença.

Milhões de pessoas, em sua maioria mulheres, com diferentes colorações ideológicas  no espectro  democrático, se unirão num grande movimento nas redes e nas ruas contra o mal que representa Bolsonaro e seus adeptos.

E esse movimento de mulheres contra o candidato  Bolsonaro, que ganhou as redes sociais, ocupará as ruas no Brasil e em algumas cidades pelo mundo no próximo sábado (29). Veja aqui a lista com horários e locais de alguns destes atos

Eu irei sábado dia 29, às 15 horas no largo da Batata, SP.

Para terminar: fiz uma pequena playlist no YouTube com algumas músicas, chamadas, manifestações para citar exemplos de como, ao menos as mulheres, podem vencer o ódio com a beleza da luta.

Este post conta com a contribuição dos leitores e leitoras para atualizar a lista #EleNão de vídeos, músicas, gifs, cards, poesias, depoimentos que circulam nas redes e que mostram que nós somos melhor que o ódio. Enviem para mim o que encontrarem de interessante na rede sobre a campanha. Postem nos comentários.

Somos melhores que a doença social de que sofrem os eleitores do Coiso.

Somos melhores que o horror do filho de Bolsonaro que faz piada com tortura.

Somos melhores que o sujeito cuja pulsão da morte é o que tem de mais forte em seu ser.

O brasileiro e a brasileira que não estão doentes da alma vão vencer o mal.

🔄 Compartilhe, participe e ajuda a dar um basta no fascismo! #EleNão