14 de março de 2018, 22h57

Marielle Franco, vereadora do PSOL, é executada no Rio de Janeiro

Ela e o motorista foram alvejados, de dentro do carro, por disparos efetuados por homens que estavam em um veículo que parou ao lado do seu, na região central do Rio. Marielle tinha dissertação sobre UPPs e atuava com direitos humanos nas favelas do Rio

Foto: NINJA

A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi morta a tiros na noite desta quarta-feira (14) na região central do Rio de Janeiro. De acordo com as primeiras informações do batalhão da Polícia Militar de São Cristóvão, ela estava de carro, voltando de um evento na região da Lapa, quando um veículo parou ao lado do seu carro e dois homens efetuaram disparos e fugiram. O motorista que acompanhava a vereadora também morreu.

Uma testemunha que estava próxima ao local afirmou que viu um carro “emparelhando” ao lado do carro da vereadora e que os homens teriam “metralhado” o veículo de Marielle e seu motorista.

Não há informações de que algo da vereadora tenha sido roubado. À GloboNews, a polícia afirmou que não se tratava de uma tentativa de assalto. Neste momento, Delegacia de Homicídios (DH) faz a perícia.

A “Insurgência”, corrente de Marielle no PSOL, divulgou há pouco uma nota solicitando que a militância não divulgue ou especule detalhes dos fatos até que a perícia seja concluída.

O presidente do PT do Rio de Janeiro, Washington Quaqua, também divulgou uma nota de pesar pela morte da vereadora e salientou que “as primeiras informações são confusas”, e que “é preciso que as forças de segurança sejam rápidas e eficientes na apuração das circunstâncias do crime”.

Eleita em 2016 com 46.502 votos, Marielle Franco era uma histórica ativista dos direitos humanos no Rio de Janeiro. Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), teve dissertação de mestrado com o tema “UPP: a redução da favela a três letras” e coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Denúncias da atuação da polícia

Recentemente, Marielle denunciou em suas redes sociais uma ação de policiais militares do 41º BPM (Irajá) na Favela de Acari. Segundo ela, moradores reclamaram da truculência dos policiais durante a abordagem na favela.  De acordo a denúncia da vereadora, os PMs invadiram casas, fotografaram suas identidades e aterrorizaram populares no entorno.

Em 28 de fevereiro, a vereadora anunciou que foi escolhida para ser relatora da Comissão que iria acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro.