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19 de fevereiro de 2019, 09h19

Matéria do Washington Post retrata piora no clima para LGBTs com Bolsonaro

Segundo a matéria, “no Brasil de Jair Bolsonaro, garotos são garotos e garotas são garotas. E isso é uma ordem”. O texto faz referência ao crescente poder do segmento evangélico no país e ao aumento da violência com motivação homofóbica

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Um dos principais jornais americanos, o Washington Post publicou matéria de fôlego retratando a ameaça a direitos e a piora do clima no país para a população LGBT com a eleição de Jair Bolsonaro e a nomeação de ministros conservadores como o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. A reportagem, intitulada “Direitos LGBT sob ataque no Brasil com novo presidente de extrema-direita” é assinada por Anthony Faiola, chefe do escritório do Post para América Latina e Caribe, e Marina Lopes, correspondente do jornal no Brasil. O texto faz referência ao crescente poder do...

Um dos principais jornais americanos, o Washington Post publicou matéria de fôlego retratando a ameaça a direitos e a piora do clima no país para a população LGBT com a eleição de Jair Bolsonaro e a nomeação de ministros conservadores como o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

A reportagem, intitulada “Direitos LGBT sob ataque no Brasil com novo presidente de extrema-direita” é assinada por Anthony Faiola, chefe do escritório do Post para América Latina e Caribe, e Marina Lopes, correspondente do jornal no Brasil. O texto faz referência ao crescente poder do segmento evangélico no país e ao aumento da violência com motivação homofóbica.

Segundo a matéria, “no Brasil de Jair Bolsonaro, garotos são garotos e garotas são garotas. E isso é uma ordem”.

O texto lembra a declaração de Damares Alves de que meninas deveriam usar rosa e meninos, azul. Destaca, ainda, que Ricardo Vélez extinguiu a Secretaria de Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação e é contrário a temas como identidade de gênero na sala de aula.

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Cita, ainda, o discurso de posse de Jair Bolsonaro. Na ocasião, o presidente disse que seu governo iria “respeitar religiões e a nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero e resgatar nossos valores”.

Evangélicos

“As ações da administração aumentam a preocupação entre liberais, que estão brigando contra políticas abraçadas por um presidente que uma vez disse preferir ter um filho morto a um filho gay. No mês passado, Jean Wylly, o único parlamentar abertamente gay do Brasil, desistiu de seu mandato e saiu do país em meio a ameaças de morte e mensagens de ódio”, afirma a matéria.

Segundo o Post, “nos últimos 10 anos, a população LGBT do Brasil garantiu diversas vitórias no campo dos direitos civis nos tribunais, incluindo casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2013 e nome transgênero legalizado e mudança de gênero em 2018. Mas, enquanto a comunidade LGBT ganhava novos direitos, o Brasil se tornava mais conservador”.

Citando o Datafolha, o jornal destaca que um terço do país é evangélico, contra 15% em 2000. Destaca, ainda, que um em cada seis membros da Câmara dos Deputados professa a religião, tornando o Congresso atual o mais conservador desde a redemocratização.

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A reportagem lembra que em janeiro, a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das DSTs, HIV e Hepatites Virais, Adele Benzaken, foi demitida “aparentemente por autorizar uma campanha destinada a educar transgêneros brasileiros”.

“Gênero e sexualidade se tornaram o principal alvo de grupos evangélicos na última década (…) Em 2017, o governo decidiu retirar a menção a identidade de gênero dos currículos. Alguns políticos conservadores nos governos estaduais e municipais estão agora pressionando pelo banimento de qualquer discussão sobre diversidade de gênero e orientação sexual em sala de aula”.

Escalada de violência

Segundo o jornal, os grupos LGBT temem que a eleição de Bolsonaro represente a retomada de projetos de lei determinando que seus direitos sejam revogados ou restringidos. “Uma dessas propostas procura definir a família como o relacionamento entre um homem e uma mulher, o que a comunidade LGBT teme que possa ter implicações para planos de saúde, adoção e benefícios sociais”.

A matéria destaca que os crimes motivados por ódio em São Paulo, a maior cidade do Brasil, escalaram nos meses anteriores à eleição presidencial em outubro, quando Bolsonaro ganhou espaço na grande mídia.

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“A cidade registrou uma média de 16 crimes de ódio por dia em agosto, setembro e outubro, mais do que o triplo da média diária para a primeira metade do ano”, afirma o Post, citando a Folha de S. Paulo.

A reportagem destaca o caso de Plínio Lima, assassinado enquanto andava pela avenida Paulista ao lado do marido, Anderson de Sousa Lima. Plínio foi esfaqueado após confrontar um homem que caminhava atrás deles e gritava ofensas homofóbicas.

 

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