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03 de março de 2019, 17h53

Mídia internacional destaca críticas a Bolsonaro no Carnaval 2019

Jornais, redes de televisão e agências de notícias destacam como a nova onda de conservadorismo influencia a primeira folia de Momo da era Bolsonaro. Festa é marcada por críticas ao governo

(Foto: Reprodução Instagram)
Reportagem da agência de notícias Deutsche Welle, da Alemanha, informa que as críticas a Jair Bolsonaro (PSL) e o medo da população LGBTI marcam a edição 2019 do Carnaval no Brasil. Segundo a reportagem, publicada neste domingo (3), a folia de Momo costuma ser noticiada no exterior como uma festa de cores, humor e liberdade, mas neste ano, reportagens da imprensa internacional também mostram como os foliões cariocas lidam com nova onda de conservadorismo no primeiro Carnaval da era Bolsonaro. Matéria da agência Associated Press, reproduzida pelo jornal The New York Times, afirma que o mundialmente famoso Carnaval do Rio de Janeiro começou sob expectativa...

Reportagem da agência de notícias Deutsche Welle, da Alemanha, informa que as críticas a Jair Bolsonaro (PSL) e o medo da população LGBTI marcam a edição 2019 do Carnaval no Brasil.

Segundo a reportagem, publicada neste domingo (3), a folia de Momo costuma ser noticiada no exterior como uma festa de cores, humor e liberdade, mas neste ano, reportagens da imprensa internacional também mostram como os foliões cariocas lidam com nova onda de conservadorismo no primeiro Carnaval da era Bolsonaro.

Matéria da agência Associated Press, reproduzida pelo jornal The New York Times, afirma que o mundialmente famoso Carnaval do Rio de Janeiro começou sob expectativa de críticas contra Jair Bolsonaro, “o presidente extrema direita conhecido por ofender a comunidade LGBT e minorias”.

Um destaque é o Bloco das Carmelitas, cujo enredo Azul ou rosa é tudo igual fez referência à ministra da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Uma das participantes do bloco entrevistadas pelo autor diz que o desfile do grupo “é um ato de resistência contra o novo governo opressor”.

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A reportagem destaca que muitas fantasias do bloco fazem referências aos escândalos dos candidatos laranjas do partido de Bolsonaro.”Vinicius Alves, um estudante universitário, usava uma fantasia laranja, com uma faixa na cabeça adornada com dinheiro falso e fatias de laranja”, descreve a matéria.

Corte de verbas
Também é citado o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que não compareceu para entregar a chave da cidade ao Rei Momo e tem cortado as verbas para a realização do Carnaval na capital fluminense. “O evangélico Crivella fez comentários negativos sobre as religiões de raízes africanas, praticadas por muitos brasileiros e que têm uma grande influência cultural nas celebrações do Carnaval”, diz o texto.

“Desde que o ex-pastor evangélico Marcelo Crivella se tornou o prefeito do Rio em 2016, as verbas municipais para as escolas de samba foram cortadas pela metade”, informa a matéria da agência de notícias francesa AFP.

O texto afirma que “em meio a uma onda conservadora que levou o extremista de direita Jair Bolsonaro ao poder, o Carnaval deste ano no Rio vai mostrar desfiles irreverentes, destacando o papel das mulheres, negros e indígenas no Brasil”.

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A matéria dá como exemplos os enredos de algumas grandes escolas de samba, como a Portela, que homenageia a cantora Clara Nunes, tematizando a força da mulher, a tolerância religiosa e enaltecendo as religiões afro-brasileiras. A Mangueira é outra escola citada, com seu samba sobre a história das minorias no Brasil, a agremiação lembra Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada no ano passado.

Gays e lésbicas com medo
Em artigo veiculado da homepage da ARD, a principal televisão estatal alemã, o correspondente da emissora na América Latina afirma que nesse Carnaval gays e lésbicas têm medo de festejar abertamente nas ruas, por causa do novo presidente.

“Em vez de uma maior aceitação, os homossexuais enfrentam ventos contrários. Especialmente desde a eleição do atual presidente Jair Bolsonaro no ano passado”, afirma o texto. “Ele discursava obcecadamente contra gays e lésbicas. Dizia que eles queriam destruir a família tradicional e até que tentavam reeducar crianças pequenas, torná-las homossexuais – tais acusações foram os principais pilares de sua campanha eleitoral.”

A consequência pode ser sentida na atmosfera desde Carnaval, segundo a reportagem. “O clima mudou, dizem muitos aqui. Como resultado, a homofobia e o preconceito tornaram-se socialmente aceitáveis novamente.”

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Com informações da Deutsche Welle

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