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10 de agosto de 2013, 14h51

Miguel do Rosário: Dilma vira o jogo

Blogueiro analisa os resultados da pesquisa do Datafolha, deste sábado (10), que mostra crescimento na aprovação do governo depois de queda no auge dos protestos

Blogueiro analisa os resultados da pesquisa do Datafolha, deste sábado (10), que mostra crescimento na aprovação do governo depois de queda no auge dos protestos. Leia abaixo na íntegra o artigo publicado no Tijolaço.

Os analistas da mídia vão demorar alguns dias para admitir isso de maneira franca e transparente. Mas os números do Datafolha divulgados hoje mostram uma espetacular virada nas expectativas políticas e eleitorais. Até então, os opositores de Dilma apostavam numa degeneração constante e gradual da popularidade presidencial, arrastada pelos protestos de junho, inflação crescente e deterioração geral de índices econômicos.

Entretanto, política – especialmente no Brasil – é um jogo cheio de reviravoltas surpreendentes. Quer dizer, talvez se tivéssemos olhado com mais atenção pudésssemos ter previsto, mas depois que as coisas acontecem é sempre mais fácil compreender o que aconteceu. Difícil é entender o futuro.

Os seis pontos recuperados por Dilma em sua popularidade, passando de 30% para 36%, representam um golpe na campanha de grandes proporções que setores de oposição vinham patrocinando, até então com sucesso, para reverter a expectativa de uma vitória de Dilma em 2014. Era importante que o “baixo astral” de Dilma se mantivesse até outubro, quando se encerram prazos eleitorais importantes para as eleições.

A campanha, que tinha apoio eufórico da grande mídia, deu nos burros. O emprego se manteve firme, a inflação caiu, com ênfase na cesta básica e transportes. A produção industrial registrou um sólido crescimento em junho, com destaque para a indústria de bens de capital, que cresceu quase 20% sobre o ano anterior.

O escândalo do propinoduto tucano, que a Istoé, redes sociais e imprensa internacional, fizeram a mídia tradicional engolir à força, cumpriu um papel fundamental de romper um dos últimos bastiões da hipocrisia partidária, e produziu uma perigosa fissura na principal fortaleza tucana, o Palácio dos Bandeirantes.

Os ânimos se acalmaram em relação aos protestos. A ficha parece ter caído na população de que protestar é legal, mas com foco, objetivo, métodos civilizados, e prazo. Há hora de protestar, há hora de comemorar as conquistas, e há hora de trabalhar. Segundo o Datafolha, o apoio popular aos protestos registrou forte queda. No auge deles, 65% achavam que eles lhes trariam melhoras pessoais: agora são 49%.

Interessante notar que Dilma recuperou terreno principalmente no Sudeste, onde seu índice de ótimo/bom cresceu de 26% em 28 de junho para 32% agora; e seu índice de ruim/péssimo caiu de 30% para 24%. Como se diz em tempos eleitorais, a boca do jacaré voltou a se abrir.

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Na análise segmentada por renda e escolaridade, a recuperação de Dilma também é notável junto aos setores onde ela mais perdeu em junho: classe média e mais escolarizados. Vale lembrar que Dilma, à diferença de Lula, vinha se caracterizando por uma sólida popularidade nestes dois segmentos, conforme se pode verificar na tabela abaixo, com dados até o final de junho. Dilma possuía, até pouco tempo, muita força na classe média, perdida subitamente após os protestos de junho; e que agora inicia um processo de recuperação.

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Observe que Dilma chegou a possuir 70% de ótimo/bom entre os que ganham mais de 10 salários; era o seu maior índice, uma anomalia para um governo progressista. Após os protestos, esse índice cai para 21%; e agora está em 29%. Na faixa de renda mais representativa da classe média, a que ganha entre 5 e 10 salários, o ótimo/bom de Dilma passou de 25% ao fim de junho para 32% agora, e o ruim/péssimo caiu de 31% para 26%.

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À guisa de conclusão, podemos dizer que a recuperação de Dilma está ligada à uma mudança de estratégia, com a presidente estabelecendo diálogos com diversos movimentos sociais, coisa que não vinha fazendo antes. Tudo que não pode acontecer é a melhora dos números fazer o staff da presidente “relaxar” novamente e voltar a se isolar em seu tecnicismo frio e apolítico. Falta ainda aprimorar, e muito, a estratégia de comunicação, com uso mais assertivo, intenso e criativo das redes sociais; seria ótimo que isso acontecesse antes do 7 de setembro, data que os movimentos de protesto – desta vez com muita participação de grupos truculentos, de um lado, e reacionários, de outro, – devem usar para acordar novamente o “gigante”.

Por Miguel do Rosário, no Tijolaço