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02 de julho de 2016, 15h01

Milhares de britânicos participam de ‘Marcha pela Europa’ contra saída do Reino Unido da UE

Protesto busca pressionar governo britânico a não seguir adiante com ‘Brexit’; petição online por novo referendo já tem mais de 4 milhões de assinaturas Por Opera Mundi Milhares de pessoas foram às ruas de Londres e outras cidades do Reino Unido neste sábado (02/07) em protesto à saída da região da União Europeia, decidida por 51,9% da população britânica no plebiscito do dia 23 de junho. A “Marcha pela Europa”, convocada através das redes sociais na última semana, foi a maneira encontrada por representantes dos 48,1% que votaram em prol da permanência do Reino Unido no bloco europeu de pressionar...

Protesto busca pressionar governo britânico a não seguir adiante com ‘Brexit’; petição online por novo referendo já tem mais de 4 milhões de assinaturas

Por Opera Mundi

Milhares de pessoas foram às ruas de Londres e outras cidades do Reino Unido neste sábado (02/07) em protesto à saída da região da União Europeia, decidida por 51,9% da população britânica no plebiscito do dia 23 de junho.

A “Marcha pela Europa”, convocada através das redes sociais na última semana, foi a maneira encontrada por representantes dos 48,1% que votaram em prol da permanência do Reino Unido no bloco europeu de pressionar o governo britânico a não ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, o que iniciaria formalmente a “Brexit”.

Os manifestantes expressaram preocupação com o futuro do Reino Unido fora da União Europeia e com o recrudescimento do nacionalismo, do racismo e da xenofobia na região.

“Estou aqui porque sinto que o país foi enganado em uma votação sobre algo que vai acabar sendo um desastre. Estou particularmente preocupado com o efeito que isso terá sobre a pesquisa científica”, disse à BBC Tom North, cujo filho, também presente na manifestação, é pesquisador. “Fiz meu doutorado em um país da UE por nós estarmos na UE, portanto me sinto muito envolvido nessa questão”, disse Ace North.

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“Sou judia e acho o aumento do nacionalismo e dos crimes de ódio na Europa muito preocupante”, disse Laura Honickberg à BBC. Ela também afirmou que a campanha em prol da saída do Reino Unido no bloco “se baseou em mentiras”, como a afirmação de que o dinheiro direcionado pela região a Bruxelas seria investido no sistema de saúde britânico, que foi desmentida pelos líderes do “Leave” logo após a vitória da “Brexit”.

“Mesmo se não conseguirmos nada [com a marcha], teremos mostrado a nossos vizinhos na Europa que nem todos apoiamos a ‘Brexit’ e que nós os amamos”, disse Lark Lester ao The Guardian. Sua sogra, Tas Earl, defendeu que o ponto principal da marcha é mostrar ao governo a insatisfação popular com o resultado do referendo convocado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron. “Temos que ressaltar que não é possível que eles sigam adiante com o artigo 50 com pouco menos de metade da população do país totalmente contrária ao que eles estão fazendo”, disse ela ao jornal britânico.

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Pouco mais da metade da população, entretanto, votou a favor da saída, como ressaltaram partidários do “Leave” nas redes sociais em resposta à manifestação. “Gostaria gentilmente de lembrar, amigos do “Remain”, que mais pessoas votaram pela saída da UE do que por qualquer outra coisa” no Reino Unido, escreveu o conservador Daniel Hannan, membro do Parlamento Europeu, em seu Twitter.

Os que querem a permanência no bloco, porém, não perdem as esperanças e seguem assinando a petição online em prol de um novo referendo sobre a “Brexit”. A solicitação, hospedada no site do Parlamento britânico, já tem mais de 4 milhões de assinaturas, mais do que o triplo da diferença de votos entre a saída (17,4 milhões) e a permanência (16,1 milhões) no plebiscito.

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