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16 de maio de 2019, 08h47

Milícia de Rio das Pedras, reduto de Flávio Bolsonaro, explora agora serviço de balsas

Pelo menos duas balsas circulavam pela Lagoa da Tijuca. Nesta quarta-feira, a Capitania dos Portos apreendeu uma embarcação

Foto: Reprodução
A Associação de Moradores de Rio das Pedras, apontada pelo Ministério Público como um verdadeiro quartel-general das atividades irregulares do grupo paramilitar que domina a comunidade, passou a oferecer transporte aquaviário, desde a última segunda-feira (13). Pelo menos duas balsas circulavam pela Lagoa da Tijuca, levando passageiros da Areinha à estação de metrô do Jardim Oceânico. Nesta quarta-feira, a Capitania dos Portos apreendeu uma embarcação. Como forma de divulgação, as viagens seriam gratuitas até esta sexta-feira. Depois, cada morador que quisesse usar o serviço pagaria R$ 40 mensais, com direito a travessias ilimitadas. Um carro de som que circulava por Rio das Pedras anunciava a viagem “de apenas 15 minutos, sem engarrafamento” na embarcação. Além disso, também foi instalada uma faixa sob um viaduto da Barra. Folheto entregue...

A Associação de Moradores de Rio das Pedras, apontada pelo Ministério Público como um verdadeiro quartel-general das atividades irregulares do grupo paramilitar que domina a comunidade, passou a oferecer transporte aquaviário, desde a última segunda-feira (13).

Pelo menos duas balsas circulavam pela Lagoa da Tijuca, levando passageiros da Areinha à estação de metrô do Jardim Oceânico. Nesta quarta-feira, a Capitania dos Portos apreendeu uma embarcação.

Como forma de divulgação, as viagens seriam gratuitas até esta sexta-feira. Depois, cada morador que quisesse usar o serviço pagaria R$ 40 mensais, com direito a travessias ilimitadas. Um carro de som que circulava por Rio das Pedras anunciava a viagem “de apenas 15 minutos, sem engarrafamento” na embarcação. Além disso, também foi instalada uma faixa sob um viaduto da Barra.

Folheto entregue a moradores mostra que iniciativa é da Associação de Moradores de Rio das Pedras. Foto: Arquivo Pessoal

O delegado Gabriel Ferrando, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), disse que a principal linha de investigação é de que a milícia esteja por trás desse serviço de transporte aquaviário. Procurada pelo jornal, a Capitania dos Portos informou, na quarta-feira à noite, por nota, que uma embarcação foi apreendida por “inúmeras irregularidades”, de falta de termo de responsabilidade à identificação de material de salvatagem sem identificação.

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O órgão informou ainda que fez duas inspeções no local, na terça-feira e quarta de manhã, quando foi feita a apreensão. Mesmo depois da operação da Marinha, Júlio César Rocha, apontado como responsável pelo serviço, dizia, num grupo de moradores de Rio das Pedras, que reúne mais de 300 mil membros numa rede social, que as “balsas são 100% seguras e seguem todas as normas da Capitania”. No píer, moradores que tentavam embarcar foram informados, à noite, que o transporte não funcionaria devido ao mau tempo. Procurado, Júlio César não respondeu aos pedidos para dar explicações sobre a embarcação.

Flávio Bolsonaro e o Rio das Pedras

Flávio Bolsonaro foi o senador mais votado em Rio das Pedras, em 2018, com 8.729 votos, o equivalente a 17% do total.

Assim que foi denunciado como ‘laranja’, Fabrício Queiroz, o ex-assessor e motorista do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, também na Zona Oeste. É a segunda maior favela da cidade e dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro.

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De acordo com reportagem do El País, Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça são o elo entre Flávio Bolsonaro e o grupo miliciano Escritório do Crime, um dos mais poderosos do Rio. O grupo é também suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Segundo o jornal O Globo, Raimunda e Danielle são, respectivamente, mãe e mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, vulgo Gordinho, tido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como uma das lideranças do Escritório do Crime. As duas foram lotadas no gabinete do então deputado estadual Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, mas o filho do presidente diz não ter sido responsável pelas nomeações.

Adriano, que está foragido, foi um dos alvos da Operação Intocáveis, da Polícia Civil e do Ministério Público. Foram presos cinco suspeitos de integrar a milícia que agia nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema. Além do suposto envolvimento no assassinato de Marielle e Anderson, o grupo é acusado de extorsão de moradores e comerciantes, agiotagem, pagamento de propina e grilagem de terras.

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Com informações do Globo

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