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06 de Maio de 2013, 01h35

Militares perseguidos pela ditadura são ouvidos pela Comissão da Verdade

Em depoimento, agentes pedem anistia assim como aqueles que participaram do regime

Em depoimento, agentes pedem anistia assim como aqueles que participaram do regime

Por Igor Carvalho

Militares pedem anistia interna nas Forças Armadas brasileira (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

Audiência pública, realizada no último sábado (4) pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), no Rio de Janeiro, ouviu militares que foram perseguidos durante a ditadura de 1964 a 1985 no Brasil. Em seus depoimentos, eles reclamaram de sofrer discriminação.

De acordo com os militares, desde o fim da ditadura eles não conseguem promoções na carreira dentro das Forças Armadas, enquanto colegas, que eram fieis à ditadura militar, estão em patentes superiores. Outros benefícios que não foram estendidos aos dissidentes foram os pagamentos de pensão para mulheres e filhos.

Luiz Carlos de Souza Moreira é capitão de mar e guerra na Marinha, foi dele o depoimento mais contundente na CNV. “Não querem nos deixar voltar à condição de militar. Até hoje somos rotulados e mal recebidos nos quartéis. Você é olhado com desconfiança. Eles estão nos humilhando.”

Moreira foi expulso da Marinha em 1964, por conta de sua relação estreita com militares que apoiavam o presidente da República à época, João Goulart. “Eu quero uma anistia ampla, geral e irrestrita como tiveram os torturadores”, disse Moreira.

Os seis agentes escutados forneceram informações sobre a Operação Mosquito, ação que teria tentado impedir a posse de João Goulart, em 1961. O coronel-aviador Roberto Baere afirmou que as ordens que ele recebeu determinavam que o avião do presidente deveria ser abatido. Ao ser questionado, o militar informou que a decisão tinha partido do tenente-coronel Paulo Costa, já falecido.

Paulo Novais, suboficial, afirmou que foi expulso após impedir um massacre. Segundo o militar, havia uma ordem para “dispersar” uma reunião da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais, no dia 25 de março de 1964, que apoiaria Goulart.

Quando entraram no Sindicato dos Metalúrgicos, onde ocorreu a assembleia, os militares que deveriam “dispersar” a reunião perceberam que “aquilo se tornaria um massacre”, então largaram as armas no chão e apoiaram o movimento.

Novais foi expulso do Corpo dos Fuzileiros Navais e ficou preso por oito meses, 30 dias isolado, no porão de um navio adernado.